Centros de monitoramento da Copa serão utilizados para controlar fronteiras

Mundial abriu 'oportunidade histórica para que o Brasil tenha política de segurança pública de Estado', afirma ministro da Justiça

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2014 | 20h11

Atualizada às 21h06

SALVADOR - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta sexta-feira, 18, em Salvador, que as estruturas criadas para integrar a comunicação da segurança pública nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo, os chamados centros de monitoramento e controle, serão usadas para auxiliar na vigilância de fronteiras e divisas. “A estrutura montada e os ótimos resultados alcançados mostraram que o problema da integração das forças de segurança do Brasil pode ser enfrentado”, disse o ministro, em reunião com os secretários de Segurança Pública de 12 Estados onde houve jogos. 

“Na Copa do Mundo, nós conseguimos planejar e operar em conjunto todas as estruturas de segurança pública estaduais e federais, até mesmo as Forças Armadas. Esse foi um dos motivos centrais para o êxito da operação e abriu uma oportunidade histórica para que o Brasil tenha uma política de segurança pública de Estado, não de um governo federal ou de governos estaduais”, disse Cardozo, no encontro que avaliou o trabalho de segurança na Copa.

De acordo com o ministro, a Copa deixa um legado para a segurança, tanto material, com a aquisição de equipamentos, quanto de expertise. Para ele, o Mundial instaura uma nova cultura institucional e ainda permite a implementação de um bom padrão de segurança não apenas em grandes eventos.

“Neste encontro, nós discutimos projetos de integração que serão desenvolvidos a partir de agora”, disse Cardozo. “Temos 12 centros de comando integrado, nas cidades-sede da Copa, um centro de comando nacional, em Brasília, e um centro nacional no Rio, mais um centro da Polícia Federal, e centros de comando do Ministério da Defesa. Os centros regionais, com o centro nacional, vão atuar no nosso plano de fronteiras e nas divisas estaduais.”

Segundo Cardozo, a integração das ações entre Estados e governo federal no monitoramento das fronteiras vai ter início em quatro Estados. No País, oito Estados têm fronteiras, mas apenas Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Amazonas têm um centro integrado de controle. 

“Em 20 dias, vamos desenvolver um plano de uso dos centros de controle no monitoramento das fronteiras, em conjunto com as Forças Armadas e considerando a unificação dos serviços de inteligência. Isso nos dará planejamento, integração da inteligência e integração de operação e apontará para que os outros Estados que ainda não têm centros de controle também passem a ter, em parceria com o governo federal.”

Projeto-piloto. No caso das divisas estaduais, o ministro disse que será iniciado um projeto-piloto a partir do Nordeste. “Da mesma forma que o País precisa monitorar suas fronteiras, é necessário que os Estados monitorem suas divisas, para controlar estradas, aeroportos, pistas de pouso, portos”, disse Cardozo. “Vamos iniciar um projeto-piloto, no Nordeste, dessa ação de controle de divisas. Os secretários de Segurança Pública da região vão elaborar uma proposta para o tema, de integração das forças federais e das forças estaduais. É um projeto para ser expandido para as outras regiões do País.” 

De acordo com Cardozo, os centros de controle também serão usados para acompanhar “situações excepcionais” e vão manter a função original, de atuação em grandes eventos. “Durante esses dias, durante as reuniões dos chefes de Estado do Brics, por exemplo, eles foram usados”, disse. “Eles serão também fundamentais para a Olimpíada do Rio (em 2016) e vão ser usados, também, nas eleições. Vamos convidar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e os Estados vão convidar os presidentes de seus Tribunais Regionais Eleitorais para conhecer os centros.”

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