Cerca de 35 mil pessoas acompanham enterros

As 20 pessoas da mesma família foram sepultadas em Coari; cidade paralisou atividades

, O Estadao de S.Paulo

10 Fevereiro 2009 | 00h00

Enterros a cada meia hora de famílias inteiras, num cemitério lotado, tomaram conta de uma cidade vazia. A comoção invadiu Coari e mais da metade da população compareceu ao velório e ao enterro das 22 vítimas que moravam na cidade, localizada a 363 km de Manaus. Dos 67 mil habitantes, 35 mil, de acordo com prefeitura e polícia, passaram pelos Ginásios Geraldo Granjeiro e Natanael Brasil desde a tarde do domingo até os enterros, ontem. Outras duas vítimas, o piloto César Grieger e a secretária municipal de Saúde de Coari, Joelma Aguiar, foram enterradas em Manaus e Manacapuru, respectivamente. Estabelecimentos comerciais e educacionais, além de órgãos públicos, paralisaram as atividades ontem. Moradores de todos os bairros e da zona rural se mobilizaram para prestar a última homenagem aos mortos. Para evitar tumultos, a prefeitura montou uma força-tarefa, com médicos, enfermeiros, assistentes sociais e policiais, para atender as famílias das vítimas e moradores. O prefeito Rodrigo Alves só acompanhou o desenrolar do resgate de Manaus. Ele disse, por telefone, que a população sente a dor pelas perdas das vidas e se solidariza com os familiares.Os sepultamentos começaram ao meio-dia, no horário local (14 horas no horário de Brasília) e foram intercalados em períodos de 30 minutos, atendendo ao pedido dos familiares. Os membros da família Melo, que perdeu 20 pessoas, foram enterrados em núcleos formados por casal e filhos. "A família quer poder se despedir dos parentes de forma digna e sem atropelos ou tumultos", disse a funcionária pública Elionete Castelo, amiga de familiares. O primeiro corpo sepultado foi o do copiloto Danilson Aires. Segundo um amigo de Danilson, o empresário Pedro Abinader Ribeiro, a mãe do copiloto, Nilce Aires, não gostava da profissão do filho. "No dia anterior ao voo que acabou em tragédia, a mãe do Danilson pediu para que ele largasse essa profissão, mas ele disse que gostava do que fazia e se sentia mais seguro no ar que em terra", disse Ribeiro. Uma hora depois, as vítimas da família Melo começaram a ser enterradas. As covas para o enterro foram feitos em duas fileiras. Por causa do grande número de urnas a serem enterradas, uma pá mecânica foi usada. A cada sepultamento, populares pareciam não acreditar na tragédia. "Parece coisa de ficção, difícil de acreditar. Tanta gente de uma mesma família morta desse jeito", disse a professora Eudinete Assis.Os corpos do ex-jogador de futebol Joo Liberal Neto, suas filhas, Stephany da Costa Liberal e Natália da Costa Liberal, foram sepultados por volta das 17h30 para que os filhos do ex-jogador, Erick da Costa Liberal e Ian da Costa Liberal, que sobreviveram ao acidente, pudessem acompanhar o cortejo. Os dois sobreviventes, que estavam em Manaus desde que foram resgatados na noite do último sábado, não quiseram retornar a Coari de avião, ainda por trauma da tragédia. Eles chegaram de barco de linha, em uma viagem que durou 12 horas.A.S.A.NÚMEROS35 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, passaram pelos ginásios onde ocorreram os velórios 67 mil habitantes é a população de Coari, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.