Cerca de 70% dos cariocas aprovam Exército nas favelas

Cerca de 70% dos moradores do Rio de Janeiro aprovaram a ocupação das favelas pelo Exército, revela uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS). Foram ouvidos 903 moradores do Estado dos dias 10 ao 15. Para 69,6% dos moradores, a operação militar foi muito boa ou boa. Os índices de aprovação foram mais altos entre aqueles que cursaram faculdade - 73,7% daqueles com nível superior escolheram a opção muito boa ou boa ao comentar a ação do Exército - e com rendas mais altas - 84,3% dos que ganham mais de 20 salários mínimos mensais também consideraram a operação muito boa ou boa. Já um terço dos analfabetos disse que a presença do Exército não foi nem boa nem ruim.Para o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do IBPS, a pesquisa mostra que a presença do Exército nas favelas gerou expectativa grande na população, mas que o saldo para o Exército foi negativo. "A população acreditava que os militares seriam a solução para a violência. Mas essa curta experiência mostrou que a situação é mais complexa: houve enfrentamento como costuma ocorrer com a polícia e o Exército não conseguiu de maneira autônoma recuperar as armas e prender os responsáveis", afirmou.Para o cientista político, o Exército se comprometeu de maneira "afoita", o que poderia representar a "perda da nossa última reserva moral e técnica". O historiador Marcelo Freixo, pesquisador da ONG Justiça Global, classificou a operação de "trágica". "O principal resultado foi a consolidação da favela como espaço do inimigo, da ausência de direito e a criminalização total de uma comunidade", afirmou.O general reformado Nilton Cerqueira, ex-secretário de Segurança do Estado, elogiou a estratégia da mobilidade adotada pelo Exército. "A chefia do tráfico não sabia onde iria aparecer uma nova força militar. Ficaram perdidos. Foi uma solução extraordinária". Cerqueira defendeu a intervenção federal no Estado para que o Exército possa permanecer nas ruas. "Está clara a falência total das polícias neste governo. É preciso recuperar o respeito pelas instituições."

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