Robson Fernandjes/AE
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Cercado pela polícia, Pimenta Neves se entrega e é preso em São Paulo

Devido ao horário, agentes não podiam invadir casa de jornalista condenado a 15 anos de prisão

Mariângela Gallucci e Renato Machado, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2011 | 19h59

SÃO PAULO - Cercado por policiais da Divisão de Captura da Polícia Civil, o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves se entregou por volta das 20 horas desta terça-feira, 24. Os agentes chegaram à residência, no bairro nobre de Santo Amaro, zona sul da capital paulista, às 18h30 para cumprir a prisão determinada do Supremo Tribunal Federal (STF). Cerca de uma hora depois, enquanto cercavam a residência e tentavam um acordo para que ele se entregasse, foram convidados a entrar. Sem mandado judicial e devido ao horário, eles não podiam invadir a residência. O jornalista deve passar a noite sede na Divisão de Capturas, no centro da capital.

Veja também:

linkPimenta Neves afirma que estava esperando pela prisão

Nesta terça-feira, os ministros da 2ª Turma do Tribunal concluíram que as possibilidades de recurso acabaram e que agora Pimenta Neves tem de começar a cumprir a pena de 15 anos de reclusão em regime inicialmente fechado pelo assassinato da também jornalista Sandra Gomide, sua ex-namorada, ocorrido no dia 20 de agosto de 2000, em um haras localizado na cidade de Ibiúna, no interior do Estado.

 

"É chegado o momento de cumprir a pena", afirmou durante o julgamento o ministro Celso de Mello, relator do caso no Supremo. "É um fato que se arrasta desde 2000 e é chegado o momento de se por termo a este longo itinerário já percorrido. Realmente esgotaram-se todos os meios recursais", disse.

 

"Eu entendo que realmente se impõe a imediata execução da pena, uma vez que não se pode falar em comprometimento da plenitude do direito de defesa, que se exerceu de maneira ampla, extensa e intensa", completou o ministro, explicando que Neves teve garantidas todas as possibilidades de defesa e recursos.

 

A ministra Ellen Gracie, que costuma participar de encontros internacionais de justiça, disse que o caso Pimenta Neves é um dos mais difíceis de ser explicado no exterior. Foi dela a sugestão para que o STF determinasse ao juiz de Ibiúna a imediata execução da pena. "Como justificar que, num delito cometido em 2000, até hoje não cumpre pena o acusado?", indagou a ministra.

 

Celso de Mello disse que a defesa do jornalista valeu-se de todos os recursos possíveis para contestar a condenação. Ellen Gracie e o ministro Carlos Ayres Britto afirmaram que a quantidade de recursos apresentada pela defesa de Pimenta Neves foi exagerada. O ministro Gilmar Mendes, disse que o caso Pimenta Neves é "emblemático."

 

Na época do crime, o casal tinha rompido um relacionamento de quase três anos. Os dois trabalhavam no Estado. Pimenta foi diretor de redação e Sandra era editora do caderno Economia. Ela morreu ao ser atingida por dois tiros, um na cabeça e outro nas costas.

 

CRONOLOGIA

 

21 de agosto de 2000

Prisão de jornalista é decretada

 

23 de março de 2001

STF concede habeas corpus a Pimenta Neves

 

5 de maio de 2006

Jornalista é condenado, mas fica em liberdade

 

13 de dezembro de 2006

Tribunal de Justiça ordena que ele seja preso

 

16 de dezembro de 2006

STJ revoga a ordem de prisão de Pimenta Neves

 

30 de agosto de 2010

TJ de São Paulo condena jornalista a pagar cerca de R$ 400 mil aos pais de Sandra 

 

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