Cerco do Exército muda rotina de moradores de favelas

O cerco do Exército a traficantes suspeitos do roubo de armas do Estabelecimento Central de Transporte (ECT) mudou a vida de mais de 300 mil moradores de favelas do Rio. São pessoas que deixam de ir trabalhar e de levar os filhos nas escolas. Gente que tem passado por revistas, muitas vezes vexatórias, e ouvido insultos no caminho para casa. "Eles fazem isso porque aqui só tem favelado, preto e pobre. Se fosse na Barra da Tijuca ou na zona sul, o tratamento seria diferente", diz o ambulante André Luís, de 26 anos.O rapaz, que nasceu e mora no Morro da Providência, onde ocorreu o pior dos embates, pediu para que seu sobrenome não fosse citado. Age como a maior parte dos habitantes das seis comunidades ainda ocupadas pelo Exército. Eles têm medo de reações dos traficantes, dos soldados e da polícia.A presença dos jornalistas é comemorada como garantia de segurança. Quando vêem um grupo de repórteres, os moradores se aproximam e passam a relatar os dias difíceis que têm passado.Quando a imprensa se retira, a cena muda: cada um vai para sua casa e o contato com os militares passa a ser evitado. Depois das 20 horas, só se aventura nas ruas quem realmente não tem alternativa. Aqueles que chegam do trabalho ou de cursos noturnos andam rápido. Durante o tiroteio deste sábado, soldados postados na Ladeira do Barroso impediram a população de ir para casa. Os moradores hostilizaram e vaiaram militares. Após uma hora de espera, eles foram liberados para subir o morro.Outra reclamação é a falta de lotações, fundamentais para deslocamentos em morros, onde longas escadarias e vielas íngremes são as únicas opções para se subir a pé. Os motoristas têm sido impedidos de subir quando há a iminência de um confronto.

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