Certos candidatos nem deveriam estar na política, diz Mello

Na véspera do primeiro turno das eleições deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, afirmou, em entrevista coletiva, que alguns candidatos não deveriam figurar no contexto político. "Eu vislumbro nomes e mais nomes. Alguns nomes que não deveriam sequer figurar no contexto mas que, talvez pela benevolência dos partidos políticos, figuram", afirmou ele, quando perguntado se já tinha escolhido seus candidatos para o pleito deste domingo. Mello não quis citar os nomes dos candidatos que, em sua avaliação, não deveriam disputar as eleições. "O voto é secreto em seu sentido maior", comentou.No mesmo tom do pronunciado feito em cadeia de rádio e televisão, o presidente do TSE enfatizou, na entrevista, a necessidade de os eleitores escolherem os candidatos "mais dignos, os mais capacitados para o gerenciamento do Brasil". Nos últimos dias, o ministro tem alertado para o risco do voto nulo. A escolha de um candidato, defendeu, é uma maneira do eleitor expurgar os maus políticos da vida pública. Além de falar sobre o processo eleitoral, ele contou que recebeu, há cerca de um mês, uma ameaça de morte em seu correio eletrônico. A mensagem dizia que ele seria morto se saísse de casa. Por isso, o ministro reforçou sua segurança com policiais civis e militares do Distrito Federal. "Estou com a minha liberdade de ir e vir temporariamente cerceada", contou. Em tom de brincadeira, o ministro relatou ter recebido também um telegrama de alguém que se dizia vidente, pedindo para que ele tomasse cuidado com sua vida. "Tenho o corpo fechado", brincou.O ministro defendeu a divulgação, pela imprensa, das fotos com o dinheiro que seria usado por petistas na compra de um dossiê contra políticos tucanos. As imagens foram divulgadas na última sexta e a Polícia Federal já abriu sindicância para apurar quem repassou o material aos veículos de comunicação. Para o presidente do TSE, uma vez quebrado o sigilo, é obrigação dos meios de comunicação divulgar tais imagens. "O quanto belo é a transparência, é a evidenciação dos fatos. No âmbito da administração pública somente é possível o acompanhamento via publicidade. O sigilo é excesso. A regra é a divulgação de fatos e dados", afirmou. "Costumo dizer que esse sigilo diz respeito àqueles que devem respeitá-lo e que, uma vez quebrado, chegando os fatos ao conhecimento dos veículos de comunicação, incumbe a esses veículos estampar esses mesmos fatos, sem que se possa cogitar a eles a transgressão à ordem legal".Ele também comentou laudo do Instituto Nacional de Criminalística divulgado pela Polícia Federal que atesta que foi falsa a denúncia de um grampo telefônico no TSE. Mello disse que a empresa responsável pela varredura tem um contrato com o TSE até 2008 e que o contrato foi fechado em 2003, na administração anterior. "Até aqui, ela (a empresa) merece a nossa confiança", afirmou. Ele contou que a firma fez diversas varreduras e jamais denunciou qualquer grampo. Na varredura realizada a partir de um pedido de um integrante do TSE, disse ele, a empresa encontrou um grampo. Na avaliação do presidente do tribunal, seria mais fácil para a empresa dizer que não havia encontrando nenhum grampo e não criar um ambiente conflituoso como o que surgiu."Eu creio que é difícil se afirmar como se está alardeando que não teria havido grampo. É dificílimo dizer que jamais houve grampo", afirmou. Ele considerou injusto o indiciamento da empresa pela PF por falsidade ideológica. "Até eu cometo equívocos. A Polícia Federal está enveredando aí por um caminho tortuoso", afirmou. "Reafirmo que nem todos são salafrários. Existem homens de bem no Brasil e não podemos raciocinar a partir da exceção do absurdo. Presumir a culpa antes da culpa estar formada", comentou.

Agencia Estado,

30 de setembro de 2006 | 19h04

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