Leonardo Augusto/Estadão
Leonardo Augusto/Estadão

Cerveja contaminada assusta clientes em bares e some dos mercados de BH

Comerciantes se antecipam e fazem recall por conta própria de rótulos da Backer; loja do Mercado Central fecha as portas

Leonardo Augusto, especial para o Estado

16 de janeiro de 2020 | 05h00

BELO HORIZONTE - O barbeiro Wander Coelho, de 65 anos, retirava no início da tarde desta quarta-feira, 15, garrafas da cerveja Belorizontina do freezer que mantém em seu local de trabalho. Ele tem uma 'barbejaria', uma barbearia que oferece cerveja para os clientes, e revendia exclusivamente produtos da marca Backer. "Um cliente chegou, viu e perguntou: 'você ainda está vendendo dessas?' Via que as pessoas chegavam na barbearia e levavam um susto", afirma.

Ele já não vendia os produtos Backer desde que o Ministério da Agricultura proibiu a comercialização de todas as marcas da empresa fabricadas a partir de outubro do ano passado. Iniciou a retirada nesta quarta porque telefonou ao representante da Backer e pediu para que as garrafas fossem recolhidas. São cerca de 300, que deram lugar à unidades com rótulos de outra cervejaria.

Um bar do tradicional Mercado Central, onde a tradição é beber de pé, encostado no balcão, e que também revendia produtos Backer, fechou. Uma lona preta foi colocada em toda a fachada, tampando o letreiro em que se lia o nome da marca.

A contaminação da Belorizontina levou medo a frequentadores de bares da cidade e moradores da capital mineira. Sentado em um dos bares do Mercado Central, o aposentado Carlos Alberto Carrusca, de 62 anos, afirmou ser um consumidor de Belorizontina, e que a última garrafa de cerveja da marca que tomou foi no último mês de novembro. "O povo fica com medo. Agora não dá para beber mais dessa", alertou.

Retirada antecipada

O Estado percorreu lojas de três grandes redes de supermercados de Belo Horizonte, inclusive o que, conforme as investigações da Polícia Civil, vendeu unidades da Belorizontina que pertenciam a pelo menos um dos três lotes que tiveram resultado positivo para o dietilenoglicol. Em todos já não há nenhum rótulo da Backer nas prateleiras ou geladeiras. Nos três locais, funcionários informaram que a retirada ocorreu ainda no fim de semana.

Um consumidor, que pediu para não se identificar, enquanto procurava outras marcas de cerveja artesanal diante de prateleiras de um dos supermercados, relatou o receio que tem por ter consumido a Belorizontina. Mas afirmou que pode voltar a beber a cerveja. "Mas só se ficar comprovado que foi sabotagem", emendou. Desde o início das apurações, a Polícia Civil afirma não descartar nenhuma linha de investigação.

O coordenador do Procon de Minas, Amauri Artimos da Matta, afirmou que todas os consumidores que adquiriram a cerveja Belorizontina dos lotes que tiveram contaminação comprovada têm direito de acionar a Justiça contra a fabricante Backer. O Procon de São Paulo notificou a empresa para que preste esclarecimentos sobre a comercialização de seus produtos a consumidores do Estado de São Paulo.

Além disso, o Ministério Público de Minas analisa a possibilidade de entrar com ação civil pública contra a Backer.

Espírito Santo

O governo do Espírito Santo, onde parte dos lotes é vendida com o nome Capixaba, determinou à Vigilância Sanitária que vistorie os comércios para impedir a venda tanto da Capixaba quanto da Belorizontina.  

A Secretaria de Estado de Saúde do Espírito Santo informou que "a rede assistencial de saúde está orientada no atendimento e identificação dos pacientes sobre os sintomas desencadeados pela contaminação, e que estão instruídos a notificar a secretaria. Até o momento não houve notificação de casos suspeitos no Estado."

Em nota, a Backer disse que "estruturou uma equipe especializada que atua para prestar assistência e fornecer o apoio necessário aos pacientes (suspeitos de terem passado mal ao beber a Belorizontina) e seus familiares." 

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