Cervejas em pé de guerra nos circuitos de Salvador

Um estudante universitário de 22 anos, do interior baiano, estava ansioso para o início do carnaval de Salvador, que está curtindo pela primeira vez. Locador de um apartamento que fica perto do Circuito Osmar, ele tinha a expectativa de curtir a folia com os colegas de faculdade. O que estava bom, ficou ainda melhor ontem. "Recebi uma caixa de cerveja de graça", conta. "Tudo o que eu precisava fazer era colocar a bandeira da marca (Skol) na janela. Pensei: por que não?" Ainda ontem, o estudante ficou sabendo que pode ser autuado pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom) de Salvador. O motivo: é conivente com uma prática ilegal, a propaganda não autorizada pelo órgão. Mais do que isso, a prática conflita com um dos patrocinadores oficiais do carnaval, a Nova Schin, que pagou R$ 1,84 milhão pelo direito de ter sua marca exibida com exclusividade nos circuitos. "Não tinha a menor ideia de que isso poderia acontecer", conta o universitário. A prefeitura teve de entrar na guerra entre as marcas de cerveja no carnaval. Hoje, 240 fiscais começaram a percorrer imóveis residenciais localizados nos principais circuitos da folia baiana para retirar bandeiras da Skol colocadas pelos moradores nas janelas e sacadas de suas casas. "O município instituiu um modelo de captação de patrocinadores para assegurar a realização do carnaval", diz o superintendente do órgão, Cláudio Silva. "O que está acontecendo é ilegal e um desrespeito com o poder público." A assessoria da Ambev, proprietária da Skol, se limitou a informar que ainda não foi oficialmente notificada.

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