CET passa a cumprir lei após 11 anos

Agentes vão multar carros que pararem na faixa de pedestre; n.º de mortes por atropelamento se mantém há 2 anos

Marcela Spinosa, Naiana Oscar e Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2008 | 00h00

Onze anos após a entrada em vigor do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) anunciou ontem que agora passará a cumprir pontos fundamentais da lei, no que diz respeito à segurança de pedestres. Números da Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) indicam que duas pessoas morrem atropeladas por dia em São Paulo. E, na maioria dos casos, fora da faixa de segurança. De janeiro a agosto deste ano, houve 926 mortes, sendo 455 de pedestres. Siga online a situação do trânsito em São Paulo Especial: saiba quantas são as vítimas do trânsito Sugestões que poderiam melhorar o caos em SP A realidade é a mesma há dois anos, como já mostrou o caderno especial Dossiê Estado: Trânsito, publicado em 18 de setembro com dados de 2007 e que revelava uma epidemia de mortes por acidentes na capital paulista. Um dos principais pontos da campanha lançada ontem para reduzir o número de óbitos - que tem custo total de R$ 2,2 milhões - é intensificar a fiscalização e punir os motoristas que não respeitarem os pedestres. A CET diz que vai passar a multar, por exemplo, quem não der preferência aos pedestres nas faixas (7 pontos na carteira nacional de habilitação e multa de R$ 191,53), estacionar sobre a faixa de pedestres (5 pontos e multa de R$ 127,69) e estacionar sobre as calçadas (5 pontos e R$ 127,69 de multa)."Vamos investir em uma fiscalização mais rígida, intensificando a presença dos marronzinhos nos cruzamentos. Só a presença deles já vai inibir muitas ações", diz o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes. Ele acrescenta que a meta da Prefeitura é manter índices de mortalidade por atropelamentos próximos dos de países desenvolvidos. Embora grande parte do foco esteja sobre a faixa de pedestre, a secretaria admite que a maioria dos atropelamentos acontece fora dela. Números de 2007 divulgados no Dossiê Estado: Trânsito mostram que 70% desses acidentes acontecem quando o pedestre atravessa uma via fora da faixa de segurança. Além disso, 7% dos casos acontecem com os pedestres nas calçadas e 11% quando eles caminham dentro das vias. De acordo com dados da Prefeitura, a capital tem um índice de 1,13 morte por atropelamento por 10 mil veículos. Esse número fica abaixo da média nacional, de 4,1, mas muito acima da dos EUA (0,20) e da Grã-Bretanha (0,26), por exemplo.Para o presidente da Associação Brasileira de Pedestres, Eduardo José Daros, antes de adotar medidas a Prefeitura deveria levantar as causas e a freqüência com que ocorrem os atropelamentos. "Cidades realmente preocupadas com a segurança do pedestre têm estudos detalhados", disse. Ele questiona também o índice divulgado pela Companhia de Tráfego, que relaciona o número de acidentes ao total da frota. "Como a quantidade de veículos não pára de crescer é evidente que a proporção de mortes vai diminuir." Daros sugere que as taxas sejam calculadas tomando como base a população. E defende que a administração municipal de trânsito sinalize melhor a velocidade das vias na cidade - medida que também é prevista no código de trânsito, mas não é cumprida adequadamente em São Paulo. "Sem saber a velocidade permitida, o motorista abusa, do mesmo jeito que também passa dos limites quando sabe que uma rua é fiscalizada por radar."TEATROA Secretaria de Transportes vai realizar obras de melhoria em alguns corredores e cruzamentos de risco. Serão pintadas faixas de segurança, instaladas grades nas vias e corredores de ônibus e iluminadas algumas faixas de pedestre. Não foi especificado onde esses trabalhos acontecerão. A campanha também veiculará vídeos de conscientização na mídia até o dia 22.Em alguns cruzamentos, a Prefeitura vai colocar profissionais para orientar a travessia e serão realizadas pequenas peças de teatro para conscientizar pedestres e motoristas. A maioria das ações, no entanto, será realizada no centro da cidade e contemplará somente dois dos cruzamentos mais perigosos: Avenida Paulista com Brigadeiro Luís Antônio e Avenida Ipiranga com São João. Não estão programadas atividades para os outros três que estão na mesma categoria - Avenida do Estado com Santos Dumont (considerado o mais perigoso para os pedestres), Rua João Teodoro com Avenida Tiradentes e Avenida do Estado com Mercúrio.

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