Cetesb apura uso de lixão lacrado

Itapecerica da Serra teria despejado quatro caminhões em aterro irregular; 29 áreas em SP serão fechadas

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

Quatro dias após a interdição de lixões em quatro cidades, a Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental (Cetesb) já investiga se a prefeitura de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, rompeu o lacre do aterro interditado no km 294 da Rodovia Régis Bittencourt. O órgão informou também que inicia, em dez dias, nova ofensiva para fechar até 29 aterros em situações irregulares. Não foram divulgadas as cidades onde ocorrerão as blitze."O que posso adiantar é que novos lixões a céu aberto que não cumpriram medidas de recuperação ambiental serão fechados. Até o final deste mês, estaremos com outros locais interditados", afirmou Otavio Okano, diretor de Controle de Poluição da Cetesb. Na segunda-feira passada, foram fechados aterros municipais irregulares em Itapecerica da Serra, em Araras, em Itanhaém e em Mongaguá, na Baixada Santista.Okano disse ainda que investiga se as empresas de coleta de Itapecerica romperam o lacre no aterro suspeito de causar contaminação na Bacia do Guarapiranga, um dos principais mananciais do Estado. No terreno eram depositadas quase 100 toneladas diárias de resíduos. Em quatro anos, a prefeitura foi multada 14 vezes, totalizando R$ 694 mil, por não promover a drenagem do chorume da área."Recebemos essa denúncia (de rompimento do lacre) e estamos investigando se quatro caminhões entraram no local interditado, na madrugada", disse o diretor. A reportagem do Estado recebeu a mesma denúncia de moradores vizinhos do aterro. O secretário de Obras, Carlos Hueb, nega. Ele, porém, não quis divulgar onde fica o aterro particular que começou a ser usado na quinta-feira pela cidade."Fica a uns 50 quilômetros, não quero divulgar para não inflacionar o mercado", argumentou Hueb, que disse estar pagando entre R$ 40 e R$ 60 por tonelada depositada no novo aterro. "Esse local tem licença. Mas queremos a reabertura do nosso aterro, não temos como pagar por um particular nem por mais uma semana."A prefeitura de Mongaguá também recorreu a um aterro particular, no Sítio das Neves, em Santos. "Trata-se de uma medida emergencial, para garantir a limpeza da cidade e o bem-estar da população", declarou o prefeito Artur Parada Prócida (PSDB).O município da Baixada apresentou um plano de metas de recuperação e, segundo a Cetesb, poderá ganhar uma liberação provisória de dez dias para utilizar o aterro interditado. "Foi a única cidade que nos detalhou um plano de recuperação", contou o diretor da Cetesb.Itanhaém está enviando 60 toneladas diárias para um aterro em Mauá, na Grande São Paulo. Já a prefeitura de Araras se limitou a informar que a coleta está normalizada na cidade e que o governo municipal entrou com recurso para voltar a usar o aterro, autuado cinco vezes antes de ser fechado por problemas como o despejo de chorume em manancial.Segundo o governo estadual, municípios como Lucélia, Eldorado, Miracatu, Itapevi, Pinhalzinho e Piracaia cumpriram as determinações da Cetesb para a recuperação de seus lixões e não serão alvos de interdições. A normatização para readequação de aterros paulistas foi iniciada com a publicação da Resolução 50, de 13 de novembro de 2007, que obriga os municípios a apresentarem à Cetesb planos de recuperação para seus aterros.

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