Cetesb já limitou trânsito, como fará novamente

Em 1996, empresa impôs restrição de placas, ideia encampada pela CET

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, novo nome da Cetesb desde ontem, terá a mesma atuação de cerca de 13 anos atrás, quando determinou a implantação do rodízio de veículos na capital em meses de inverno, para minimizar os efeitos da poluição. A ideia, de 1996, foi encampada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que instituiu o rodízio pelo sistema de placas, retirando das ruas cerca de 20% da frota circulante nos horários de pico. Os novos poderes da Cetesb incluem a imposição de pedágio urbano na Grande São Paulo e a ampliação do rodízio em razão do aumento da poluição."Há 13 anos o rodízio foi implantado e depois absorvido pela população. Agora, creio que uma necessidade seja ampliar o número de placas com restrição por dia. Em Bogotá e na Cidade do México, são quatro placas por dia. Aqui são duas. Já o pedágio urbano também não tem como evitar. Não há outra forma de gerenciar o transporte urbano sem você, de alguma forma, limitar a circulação de veículos particulares e também melhorar o transporte público", afirma Elmir Germani, que tem mais de 40 anos de experiência na área de transportes urbanos e hoje é diretor da TTC Engenharia de Tráfego. Germani diz que hoje já existe um pedágio disfarçado de congestionamento. "O motorista está pagando com algo mais valioso que o próprio dinheiro. Ele paga com tempo, ao ficar parado em enormes congestionamentos. Tempo não se recupera. Dinheiro, sim."O professor Antonio Carlos de Oliveira, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Unesp, vê com reservas a questão do pedágio urbano. "Não há razão plausível no horizonte de curto prazo para que o cidadão deixe seu veículo em casa e se utilize do transporte público. O transporte público urbano na cidade de São Paulo oferece um serviço no limite de sua capacidade", diz o professor, citando que as linhas de metrô e ônibus e os trens urbanos "não atendem qualitativamente seus usuários".Um dos maiores defensores do pedágio urbano em São Paulo é o professor de planejamento urbano da Universidade de São Paulo (USP) Cândido Malta. Ele defende que, com investimentos no metrô, micro-ônibus de qualidade acompanhados da reurbanização da região central da capital - com o repovoamento da área - e a implementação de pedágio urbano, a cidade de São Paulo pode mudar muito num prazo de dez anos. Aliás, o pedágio é considerado por Malta como o ponto-chave para iniciar a transformação da situação caótica em que se encontra a cidade.PESQUISANo ano passado, pesquisa divulgada pelo Movimento Nossa Paulo sobre mobilidade na capital mostrou que boa parte da população aceita o rodízio de automóveis. Tanto que 41% das pessoas já concordariam com a ampliação da restrição para dois dias por semana.

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