Cetesb já sabia da presença de gases em terreno

Em coletiva à imprensa na tarde de hoje, o presidente da Cetesb, Dráusio Barreto, afirmou que a companhia já tinha o relatório que indicava a presença dos 44 gases no terreno do Barão de Mauá em fevereiro deste ano, mas que só teve condições de concluir que a população local corria risco em junho. Ele também acusou a SQG Empreendimentos e Construção, responsável pelas obras do conjunto desde 1998, de sonegar informações à Cetesb.Segundo Barreto, a SQG recebeu em agosto de 2000 um relatório da empresa canadense OSB Lab, que apontava a presença dos gases. Em 25 de setembro, a construtora apresentou os primeiros resultados do estudo ambiental da área, solicitado pela Cetesb após a explosão ocorrida em abril daquele ano. O relatório, porém, não estava incluído entre os documentos.A Cetesb alega que só recebeu o relatório datado de agosto em fevereiro de 2000, junto com novos estudos que tinha solicitado à SQG, já que os resultados anteriores eram "inconclusivos". A Cetesb, por sua vez, só concluiu que o relatório indicava a presença dos gases mais de quatro meses depois, em 17 de junho. Nesta ocasião a companhia recebeu novos resultados enviados pala SQG.Barreto disse que a demora na avaliação ocorreu porque o relatório foi enviado para a área de emergência da Cetesb, que estava capacitada somente para avaliar o risco de explosão da área. "A Cetesb não trabalhava com a hipótese de contaminação nessa época", disse Barreto. Até então a empresa pensava que a explosão tinha ocorrido por causa da presença de gases metano, originado da composição de lixo orgânico.Depois de descartado o risco de explosão, o relatório teria passado ao setor de áreas contaminadas da empresa, que identificou a presença dos gases. Barreto não considerou excessivo o tempo gasto na avaliação. "Foi um espaço de tempo razoável para quem trabalhava apenas com a hipótese de explosão".Na quinta-feira, a Cetesb fez exigências à SQG de que análises do ar e do solo sejam feitas para avaliar o perigo à população. A companhia recomenda a descontaminação da área. "O que não sabemos é se isso pode ser feito com a presença dos moradores".A conclusão sobre a possível remoção dos moradores só vai sair depois dos resultados médicos ou da avaliação ambiental. A Cetesb deu 90 dias para que a SQG faça a análise do ambiente.Barreto afirmou que o ponto principal não é o tempo que a Cetesb levou para avaliar o caso, mas sim a responsabilidade dos proprietários do terreno. "Trata-se de uma empresa inescrupulosa, que construiu moradias sobre um caldeirão químico", disse, referindo-se à Cofap.

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