Cetesb vê risco de explosão em área de escolas

Conjunto habitacional também foi feito em local onde havia um lixão

Bárbara Souza, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2008 | 00h00

Duas escolas municipais, além de 69 habitações construídas pela Cohab nos anos 1990 sobre um lixão desativado há 25 anos, estão em uma área contaminada, segundo a Cetesb - órgão ambiental do Estado. Há risco de explosão. A Justiça determinou a retirada das famílias em 2007, mas elas continuam no local. Para a Cetesb, há "100% de risco de explosividade" na área, conhecida como Boi Malhado, ao lado do Cemitério Cachoeirinha, zona norte de São Paulo.Mesmo com as ações preventivas tomadas pela Secretaria Municipal de Educação, Cetesb e Ministério Público recomendam a retirada das famílias e desativação das escolas. Há outras 69 casas em construção, cujas obras foram suspensas em 2006, e um campo de futebol, onde funciona uma escolinha para 300 crianças.A Cohab, órgão habitacional vinculado ao Município, tomou conhecimento da contaminação em 2001. A partir disso, a Cetesb exigiu uma série de medidas, como a instalação de sistemas de extração dos gases, solicitou a investigação detalhada da área e a retirada preventiva das famílias. Mas o órgão municipal entregou apenas o estudo, no mês passado, que ainda está em análise. "Mas essa análise é mais superficial e não atende o solicitado", diz o engenheiro Celso Machado, da agência da Cetesb na zona norte.Segundo ele, a única informação concreta é o risco de explosão, por conta da concentração de gás metano em alguns bolsões da área, concentrados sob as escolas, no campo de futebol e em algumas casas. O parecer da Cetesb deve ser concluído nas próximas semanas.Por não atender à determinação judicial de tirar as famílias, a Cohab chegou a ser multada em cerca de R$ 1 milhão, segundo o promotor de Meio Ambiente José Eduardo Ismael Lutti, que cuida da causa. A pena foi suspensa no fim de 2007, até que a companhia tome as providências solicitadas. Moradores dizem que sabiam que a área já havia abrigado um lixão no passado. E dizem que jamais sentiram cheiro de gás, ou tiveram qualquer problema físico por conta da contaminação. A Secretaria de Educação garante que os terrenos passaram por análises antes de as escolas serem construídas. A secretaria informou que "à época" os órgãos técnicos especializados não constataram contaminação. Em novembro de 2006, a Prefeitura contratou uma empresa para instalar e monitorar um sistema de extração de gás metano no entorno das escolas. A Cohab informou que contratou uma consultoria que finaliza o relatório para ser levado à Cetesb.

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