Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

CFM vê ‘ação vitoriosa’ por todo o País

Ministro da Saúde não comentou mobilizações nas capitais; médicos e profissionais usaram nariz de palhaço e cartazes para protestar

O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2013 | 23h35

Manifestações contra a proposta do governo federal de trazer médicos estrangeiros para trabalhar no interior sem revalidação do diploma tomaram ontem as ruas das principais capitais do País. Mais de 4 mil médicos protestaram em Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Rio, além de Brasília.

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D’Ávila, classificou como positivas as manifestações. "A população viu algo raro, médicos nas ruas. Pedimos por várias coisas: melhoria na condição de trabalho, mais investimentos", disse. "Foi uma ação vitoriosa", afirmou D’Ávila, que na quarta-feira, 3, acompanhou os protestos de Brasília. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não se manifestou.

Belo Horizonte reuniu 2 mil pessoas. A passeata seguiu pela Praça 7 de Setembro e terminou na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG). Os médicos cobraram mais verbas para a saúde.

Em Salvador, cerca 1 mil profissionais da saúde caminharam por 1 km, entre as Praças do Campo Grande e Castro Alves. De jaleco, nariz de palhaço e com faixas e cartazes, eles ameaçaram fazer greve. "Médico sem revalidação é paralisação", diziam os manifestantes.

Segundo a diretora do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA), Maria do Socorro Mendonça de Campos, a categoria espera o cumprimento do Revalida. "Nenhuma entidade é contra a vinda de médicos, mas é preciso se certificar de que são profissionais de qualidade."

No Recife, cerca de 700 profissionais aproveitaram para reivindicar a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Saúde. "Brigamos para poder atender bem a população", disse Mário Jorge Lobo, presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco.

Ironia. Com nariz de palhaço e faixas com dizeres como "Parto pelo SUS: R$ 150. Escova progressiva: R$ 300", 200 médicos no Rio fizeram ato na Cinelândia e na Assembleia Legislativa. Em Fortaleza, 250 profissionais também criticaram o governo federal, com faixas: "Dilma, sai do Sírio e vem para o SUS". Em Brasília, o ato no Ministério da Saúde reuniu cem pessoas.

Solução. Na próxima semana, um edital para convocar médicos deverá ser publicado pelo Ministério da Saúde, com salários de R$ 10 mil em regiões de difícil acesso - brasileiros serão prioridade. Os estrangeiros recrutados receberão um registro provisório. / LIGIA FORMENTI, MARCELO PORTELA, TIAGO DÉCIMO, LAURIBERTO BRAGA, MONICA BERNARDES e MARCELO GOMES

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