CGU conclui auditoria sobre Erenice, a três dias das eleições

Controladoria não avança no tráfico de influência de seus parentes, nem[br]aponta indício de ligação com casos suspeitos

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

A três dias das eleições, o governo conseguiu uma defesa política contra as denúncias que levaram à demissão de Erenice Guerra - braço direito da presidenciável Dilma Rousseff (PT) - do cargo de ministra da Casa Civil. A Controladoria-Geral da União (CGU) - vinculada ao governo federal - anunciou a conclusão de auditorias em contratos mencionados no escândalo. O resultado é bom para o governo porque blinda a ex-ministra, não avança no tráfico de influência de seus parentes, nem aponta indício de ligação dela com os episódios suspeitos.

A CGU foi rápida em dar uma resposta ao presidente Lula, que pediu uma auditoria interna no dia 14 em meio ao movimento para dar satisfações durante a crise. Avaliou, por exemplo, que o estopim da queda da ex-ministra não teve qualquer irregularidade contratual. Trata-se do episódio que envolveu o empresário Rubinei Quícoli e membros da Casa Civil.

Ele acusou integrantes do Palácio do Planalto de tentarem intermediar o pedido de financiamento - para um projeto de usina solar - feito pela empresa ERDB, a qual representava, ao BNDES.

Ao abordar o caso, a CGU se atenta a dados técnicos e explica que "concluiu que o pleito de financiamento teve o tratamento técnico previsto nas normas internas do BNDES e que o mesmo não foi aprovado por não atender aos requisitos exigidos".

Segundo a controladoria, não houve também irregularidade na compra do remédio Tamiflu, no ano passado.

De acordo com a revista Veja, Vinicius Castro, ex-assessor da Casa Civil e sócio de um filho de Erenice numa empresa de lobby em Brasília, recebeu R$ 200 mil de propina pela compra do medicamento. A controladoria também afirma que não houve falhas nas multas aplicadas à Matra Mineração, empresa ligada ao marido de Erenice.

A CGU investigou ainda a contratação do escritório Trajano e Silva Associados pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Uma irmã de Erenice, Maria Euriza, era funcionária do órgão e autorizou em agosto de 2009 a contratação, sem licitação, do escritório, cujo um dos sócios era um irmão delas, Antônio Alves Carvalho.

A CGU afirma que ele entrou oficialmente na sociedade só em novembro, embora o advogado Márcio Silva, um dos sócios do escritório, tenha informado por escrito que ele era sócio desde fevereiro de 2009. A CGU revela que a própria Erenice já foi do quadro societário, admite falhas na contratação, mas faz só recomendações. A auditoria aponta problemas num contrato entre o Ministério das Cidades e a Fundação da Universidade de Brasília que teria o envolvimento de José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice. Diz que há irregularidades de R$ 2,1 milhões, mas não afirma que ele seria o culpado direto.

Anteontem, a Polícia Federal decidiu que só ouvirá os filhos de Erenice depois das eleições.

Demissão

Mesmo negando as denúncias contra seu filho, Israel, a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, pediu demissão do cargo. Ela ficou pouco mais de cinco meses no comando da pasta

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