Chácara Lane será restaurada

Obra custa R$ 1,2 mi e antecipa para março a entrega de parte da Biblioteca Mário de Andrade

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2008 | 00h00

Segunda maior biblioteca do País - seu acervo, de 3,3 milhões de itens documentais, só perde em quantidade para a Nacional do Rio de Janeiro -, a Mário de Andrade se prepara para reabrir as portas, após reforma iniciada em setembro de 2007. Uma de suas alas, com obras em estado avançado, começará a funcionar em março. O restante, no segundo semestre. Esse espaço que antecipa a reabertura da biblioteca vai abrigar o acervo circulante da instituição, que até o dia 5 de dezembro fica no casarão da Chácara Lane, na Rua da Consolação. São 40 mil livros, que podem ser emprestados aos freqüentadores. A biblioteca circulante foi criada em 1944, com 2,5 mil volumes - todos duplicatas de obras do acervo principal, cujo acesso é restrito e somente para consulta. Em 1974, a coleção saiu do prédio-sede e ocupou um espaço na Praça Roosevelt. De lá foi transferida para a Galeria Prestes Maia, voltou à Praça Roosevelt e, em 1993, mudou-se para um prédio na Rua Frei Caneca. Desde 1995, a biblioteca, freqüentada por 1,5 mil pessoas por mês, funciona na Chácara. SÉCULO 19O imóvel, construído entre os anos 1890 e 1906 e tombado pelo Conpresp, passará por restauração. ''Iremos modernizar as instalações elétricas e hidráulicas, deixar o prédio com condições de acessibilidade e recuperar trincas de revestimento'', enumera a arquiteta Lara Melo Souza, uma das responsáveis pelo trabalho. Após os nove meses de obras, orçadas em R$ 1,2 milhão, deverá ser a nova sede do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). Durante o levantamento realizado no prédio, surpresas foram descobertas. Em alguns cômodos, há desenhos murais que estavam escondidos sob a pintura. ''A idéia é restaurarmos o máximo possível'', diz a arquiteta. Também foram identificadas todas as camadas de tinta já utilizadas na casa - há cômodos que tiveram 11 tonalidades diferentes ao longo dos tempos. Um prédio anexo, no mesmo terreno, será demolido e dará lugar a um jardim. ''O casarão histórico não vai mais ficar escondido'', explica Lara. ''Poderá ser visto da rua.'' Pelo projeto, será colocado um gradil - baixo, para não atrapalhar a observação da casa - e uma barreira de vidro para atenuar a poluição sonora. MÁRIO DE ANDRADEAs estantes metálicas que abrigarão o acervo da biblioteca circulante já estão praticamente prontas, à espera dos livros. ''Contratamos uma empresa especializada em transporte de obras de arte e livros para trazer tudo com o máximo de cuidado possível'', conta a bibliotecária Rita D''Angelo, diretora da Divisão de Acervo da instituição. Chegando ao local, os exemplares serão higienizados e reorganizados. E o acervo circulante deve crescer de 40 mil para 60 mil exemplares. Por isso a abertura está prevista somente para março. Mas o restante da Mário de Andrade só deverá ficar pronto no segundo semestre do próximo ano. A obra, que custou R$ 15,8 milhões, é a maior já feita no prédio, inaugurado em 1942. Estão sendo recuperados a fachada, os caixilhos e as estantes, entre outros pontos. O sistema elétrico também passa por modernização. ''Os vidros das janelas receberam um tratamento para filtrarem luz e calor, contribuindo para a preservação do acervo'', revela a arquiteta Rafaela Bernardes, responsável pela obra. A diretora-geral da Mário de Andrade, Branca Lopez Ruiz, aproveitou a movimentação para fazer a desinfestação de pragas nos 200 mil livros que formam a coleção da biblioteca. A partir de dezembro, eles passarão por um processo para eliminar as brocas e outros insetos que estragam papel. Os volumes serão divididos em três lotes. A ''limpeza'' de cada um leva de 40 a 60 dias. ''É a maior desinfestação já feita em livros no País'', conta ela. O serviço custará R$ 700 mil e será feito por uma empresa terceirizada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.