Polícia Civil
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Chacina deixa 5 mortos e 9 feridos em Belém

Vítimas foram atacadas enquanto assistiam a jogo de futebol em bar da capital paraense; duas crianças estão entre os feridos

Carlos Mendes, Especial para O Estado

07 de junho de 2017 | 07h33
Atualizado 07 de junho de 2017 | 22h55

BELÉM - Os grupos de extermínio de jovens que agem em todo o Pará, principalmente em Belém, são apontados como responsáveis pela chacina que deixou, na noite de terça-feira, 6, cinco mortos e nove feridos. A capital do Pará é a 11.ª cidade mais violenta do mundo, com 67,41 homicídios por cada 100 mil habitantes, segundo números de abril da ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal.

Por volta das 21h30 de terça, cerca de 15 homens, oito deles encapuzados e armados com pistolas ponto 40 e até uma submetralhadora, chegaram em três veículos, fecharam duas ruas do bairro da Condor e passaram a atirar contra pessoas que assistiam em um bar, pela televisão, a um jogo de futebol. Entre os feridos há duas crianças que brincavam na Rua Nova II.

Uma testemunha contou que mais de 80 tiros foram disparados contra as paredes e muros de residências vizinhas do bar, enquanto moradores em pânico corriam para dentro de suas casas ou se atiravam no chão. “Foram muito tiros, todos os homens estavam armados e atiravam para todos os lados, foi um horror”, disse a mulher, que pediu para não ser identificada por questões de segurança.

Morreram no local Rodney Vasconcelos Silva, de 26 anos; Jairo Lobato Pimentel, de 38; Sebastião Souza Pereira, de 46; Evandro Sá, de 38; e Ricardo Botelho, de 32, que era chefe de bateria da escola de samba Rancho Não Posso Me Amofiná, uma das agremiações carnavalescas tradicionais de Belém.

Recorrência

De janeiro a maio deste ano, cerca de 50 pessoas foram mortas em chacinas praticadas por grupos que ocupam carros das cores prata, preta ou que utilizam motocicletas. A polícia abriu inquérito para investigar as mortes, mas ninguém até agora foi preso.

Por meio de nota, o secretário de Segurança, general da reserva Jeannot Jansen, informou que as Polícias Civil e Militar e o Centro de Perícias Renato Chaves estão apurando as “circunstâncias, motivações e responsabilidade do crime, incluindo ações de buscas nos bairros da Cremação, Jurunas e Condor, além de barreiras e operações de saturação nas três áreas”. 

O promotor militar Armando Brasil informou ao Estado que nos mês passado enviou recomendação ao comandante-geral da PM, coronel Hilton Benigno, para que a corporação exerça um controle sobre a munição ponto 40 que ela utiliza, até mesmo para identificar quem eventualmente faz parte de grupos de extermínio ou se envolve em troca de tiros no combate a criminosos. Com a identificação do número da munição, será possível saber quem atirou e de qual arma partiu o tiro.

“O kit de segurança tem a pistola e o colete e suas numerações são lançadas na cautela distribuída pelo quartel a cada militar. A munição, porém, não tem a numeração na cautela e isso é uma falha que precisa ser corrigida”, disse Brasil, lembrando que é o Exército quem autoriza a distribuição da munição à PM. “O Exército sabe para onde vai e qual Estado recebeu a munição.” 

Brasil disse que a recomendação enviada ao comando até agora não foi cumprida. E prometeu que, se nos próximos dez dias isso não ocorrer, ele ingressará judicialmente com ação de improbidade administrativa contra o coronel Benigno. 

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