Chafarizes de SP estão secos e sujos

Secretário de Coordenação das Subprefeituras admite que é praticamente impossível manter fontes funcionando

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2009 | 00h00

Nem uma gota d?água sai dos chafarizes de São Paulo. Além de secos, os equipamentos estão sujos e pichados. As fontes se tornaram depósitos de entulho e também abrigam moradores de rua. Até mesmo os chafarizes recentemente recuperados já estão depredados. As duas fontes localizadas na Avenida 9 de Julho, nas laterais do Túnel Daher Cutait, no centro, foram revitalizadas pela Racional Engenharia e entregues no aniversário da cidade de 2006. Sistemas de motobombas foram instalados - também houve reparos na impermeabilização e na pintura, ao custo de R$ 300 mil. Hoje, há sacos de lixo no local. Moradores de rua dormem ao lado das esculturas.O Chafariz dos Piques, no Largo da Memória, próximo da Estação Anhangabaú do Metrô, foi recuperado pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim. O investimento de R$ 300 mil consistiu em limpeza, retirada de pichações e recuperação do granito em decomposição. Mas o histórico mural de azulejos azuis do monumento mais antigo da cidade está, na verdade, marrom, de tanta sujeira. De acordo com a assessoria do grupo, uma verba de R$ 231 mil vem sendo repassada para a limpeza e manutenção do espaço desde dezembro de 2005.Na Praça Cidade de Milão, em Moema, zona sul, toda a parte elétrica e hidráulica foi recuperada em 2004, bem como as majestosas esculturas. Mas as fontes da obra, que consumiu cerca de R$ 450 mil, em parceria entre as Prefeituras de São Paulo e Milão e o Instituto Italiano de Cultura, não funcionam."A Prefeitura arruma, recupera, mas as fontes são depredadas. Fizemos reformas em parceria com a iniciativa privada, mas roubaram os motores de bombeamento e os bicos", conta Andrea Matarazzo, secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras. Segundo ele, os bicos furtados eram de ferro, bronze e cobre. "É praticamente impossível manter os chafarizes funcionando. Não podemos deixar água parada, por causa da transmissão de dengue, nem colocar um guarda municipal cuidando de cada um. Os chafarizes são utilizados como banheiro público, onde as pessoas tomam banho e lavam roupa." A secretaria não soube informar o número de chafarizes na cidade.FONTE MONUMENTALA Fonte Monumental, na Praça Julio Mesquita, no centro, tenta resistir a décadas de degradação. Cercada por montes de lixo e restos de comida, tem dejetos no seu interior. Localizada na região da Cracolândia, ela abriga moradores de rua e usuários de drogas. Maria de Jesus Borba, de 70 anos, lembra de quando a água esguichava na fonte. "A praça era linda, arrumadinha. Era ponto de encontro na década de 1960, rodeada por cinemas. Eu trazia meus filhos para brincar", conta a sócia do restaurante Moraes - O Rei do Filet, que funciona desde 1929 na frente da praça. O taxista Antonio Ferreira, de 78 anos, que há mais de 40 trabalha na praça, também tem saudades dessa época. "Como estão revitalizando a Luz, a molecada veio para cá. Eles dormem aí e usam drogas." Os moradores fazem abaixo-assinado pela recuperação do local. "A Prefeitura lava a praça, mas não a fonte", diz Erni Coutinho, presidente da Ação Local Praça Julio Mesquita, da Associação Viva o Centro. Feita de mármore branco de Carrara em estilo art nouveau, a Fonte Monumental é uma obra da escultora Nicolina Vaz, de 1925. A maioria das cabeças das sereias e as lagostas que adornavam a base, feitas de bronze, foi furtada. O restante foi retirado pelo Departamento de Patrimônio Histórico (DPH). Por ora, a Prefeitura não deve recuperar a fonte, mas ela está incluída na campanha Adote Uma Obra Artística ao custo estimado de R$ 400 mil.

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