Chamado de 'criminoso', delator diz que prefeito 'vendeu a alma'

Amigos de infância em Corumbá (MS), Dr. Hélio e Aquino trocaram acusações em artigos de jornais de Campinas

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

Rotulado de criminoso pelo prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), o delator Luiz Augusto Castrillon de Aquino, que revelou ao Ministério Público elos do suposto esquema de corrupção e fraudes em licitações na administração municipal, foi à réplica. "O grande ato de luxúria não foi cometido por mim, mas por você, ao vender a própria alma ao diabo para se eleger prefeito no primeiro mandato."

O capítulo inaugural do embate foi o artigo A máscara da infâmia, da lavra de Dr. Hélio, publicado terça-feira no jornal Correio Popular, de Campinas. O prefeito ataca Aquino, que foi seu amigo de infância e presidiu, entre 2005 e 2008, a Sanasa, companhia de saneamento da cidade. Dr. Hélio aponta sua ira também para os promotores do Gaeco - braço do Ministério Público que combate crime organizado e atribui à primeira-dama, Rosely Nassim, o comando de quadrilha para recebimento de propinas.

"Para conseguir a indulgência, o criminoso Luiz Aquino, ex-presidente da Sanasa, faz um acordo com os inquisidores do Gaeco para livrar sua pele, em troca de mercadoria mais valiosa: a honra e a credibilidade conquistada em dois mandatos como prefeito de Campinas", escreveu Dr. Hélio.

Aquino foi à forra e também escreveu um artigo no qual rebate o libelo do desafeto. Traz uma mensagem enigmática. "Lembra-se das incontáveis reuniões com os credores realizadas em hotéis na cidade de São Paulo até altas horas da noite? Desde antes do primeiro dia do seu primeiro mandato de prefeito você já começava a pagar essa dívida, nomeando pessoas desqualificadas para o alto escalão, que Campinas não conhecia e não conheciam Campinas. Já se esqueceu?"

"Todo esse processo remete à Idade Média", escrevera Dr. Hélio. "Um homem desqualificado, flagrado com provas materiais e gravações que mostram o envolvimento dele e seus comparsas num esquema de desvio de dinheiro da Sanasa, de repente sai das instalações do Gaeco "canonizado" e beneficiado por uma surpreendente delação premiada."

"Discordo quando você diz que não tenho credibilidade. Não fiz acusações, mas reconheci meus erros e vou responder por eles. Aliás, o senhor falando em credibilidade? O senhor tem saído nas ruas? O senhor desceria a 13 de Maio hoje sem escolta?"

O prefeito disse que sua mulher, Rosely, pedira a exoneração "desse sujeito em 2008, quando surgiam os primeiros indícios de irregularidades na sua gestão à frente da Sanasa". "A mim custava crer que uma pessoa, que conheço desde a infância, pudesse cometer esse tipo de traição. Quando garoto, nunca me roubou uma bola de gude. Agora, adulto, fez despertar sua falta de caráter e seu instinto criminoso."

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