REUTERS/Washington Alves
REUTERS/Washington Alves

Risco de barragem romper é de 10% a 15%, diz secretário de Ambiente de Minas

Desmoronamento poderá desencadear destruição de barragem em Barão de Cocais. Lama atingiria cidade em 1 hora e 12 minutos

Leonardo Augusto, Especial para o Estado

20 de maio de 2019 | 14h55
Atualizado 21 de maio de 2019 | 11h36

BELO HORIZONTE - A barragem do complexo minerário de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), tem risco entre 10% e 15% de se romper, disse nesta segunda-feira, 20, o secretário estadual de Meio Ambiente de Minas, Germano Vieira, citando inspeção feita por auditoria independente. O colapso da estrutura pode acontecer caso desmorone o talude, encosta que dá sustentação à mina que pertence à Vale.

O secretário disse ainda que o talude vai desmoronar. “O prognóstico se mantém. Todas as avaliações técnicas da empresa foram confirmadas por uma auditoria independente. Então o cenário de ruptura do talude vai acontecer. Não se consegue um prognóstico se a data é do dia 21 a 26, pode ser um dia a mais ou um dia a menos”, disse, em entrevista depois de workshop sobre o setor de mineração realizado pelo governo de Minas.

A previsão inicial divulgada pela Defesa Civil estadual era de que o talude se rompesse entre o domingo passado e a próxima sexta-feira, prazo que agora foi estendido para o próximo domingo, dia 26. “Adianto para vocês que o consultor dessa auditoria independente, que é estrangeira, registrou que essa chance (de o desmoronamento afetar a barragem) é de uma em dez ou uma em oito, o que levaria entre 10% a 15% de probabilidade. Mas mesmo assim lidamos ainda com algo imponderável”, avaliou o secretário.

Segundo Germano, a movimentação do talude ocorria há oito anos “de maneira natural”, mas se “intensificou nos últimos momentos”. “Face a isso, a empresa informou na semana passada aos órgãos públicos que o fato era grave”, disse. Não é possível dizer, conforme o secretário, se o deslizamento ocorrerá de uma só vez. A movimentação do talude da mina de Gongo Soco subiu de 4 centímetros por dia para 7 centímetros por dia, conforme informações da Agência Nacional de Mineração (ANM). 

E um outro cenário foi identificado no complexo da Vale. Segundo Germano, a água que está dentro da cava poderia ser expelida com o desmoronamento do talude. Porém, a informação é que, neste caso, pelo relevo local, a água desceria para leste, e não para o sentido sul, onde está a barragem. Se fosse na direção da represa, seria mais pressão contra a parede de estrutura.

Emergência

Moradores da chamada zona de autossalvamento, a que fica mais próxima da mina, foram retirados do local no dia 8 de fevereiro. Elas moravam muito perto da área, nas comunidades de Piteiras, Socorro, Tabuleiro e Vila do Gongo, e poderiam ser engolidas pela lama sem tempo para reação, caso houvesse rompimento da barragem.

No dia 22 de março, o nível de alerta foi elevado para 0 3, ponto máximo de risco, o que indica ruptura iminente. Sirenes foram acionadas na cidade e a Vale passou a realizar treinamentos de evacuação de emergência com os cerca de 6 mil moradores que vivem no centro de Barão de Cocais. Eles poderão ser atingidos pela lama em 1 horas e 12 minutos após a ruptura da barragem.

Contenção

A Vale também iniciou obras para tentar conter a lama, em caso de rompimento da barragem. Está sendo feita terraplenagem para construção de um muro, segundo a empresa. A estrutura fica entre a represa e o município. 

Houve ainda, conforme a empresa, início de colocação de telas metálicas e blocos de granito. Desde a elevação do nível de alerta para rompimento, autoridades abordaram a questão da segurança de trabalhadores em obras que pudessem ser feitas para conter a lama. 

Em nota, a Vale disse ter elaborado planos que contêm procedimentos de segurança para garantir a integridade física dos trabalhadores. “Foi autorizada à Vale a utilização de trabalhadores para os trabalhos descritos nos referidos documentos.”

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