Chanceler argentino rebate declaração de Serra

Pré-candidato tucano à Presidência da República havia feito críticas ao Mercosul no começo da semana a empresários de Minas Gerais

Ariel Palacios, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

PONTOS-CHAVE

Formação

Criado em 1991, o Mercosul é formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Ete mês, foi confirmada a entrada de Israel, primeiro país fora da América da Sul a integrar o bloco

Missão

O objetivo do bloco é reduzir ou eliminar impostos, proibições e restrições entre os produtos dos países integrantes. O bloco adotou a Tarifa Externa Comum (TEC)

Polêmica

Os argentinos aplicaram uma série de licenças de importação contra produtos brasileiros. Em retaliação, o Brasil também dificultou a entrada de produtos argentinos

Venezuela

Outra importante polêmica é a entrada da Venezuela, de Hugo Chávez. O governo Lula defende o ingresso do novo sócio, mas boa parte do empresariado

brasileiro é contra

O chanceler argentino, Jorge Taiana, retrucou as declarações do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que havia classificado de "farsa" o Mercosul. "Não acho que essa seja posição do Brasil nem da maioria de seus setores econômicos e políticos", disse o argentino.

Em palestra na Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), na terça-feira, o tucano havia criticado o Mercosul por ser "uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais". Ontem, em Natal, Serra voltou a criticar a política do comércio exterior, dizendo que o governo Lula realizou apenas um tratado de livre comércio.

"Há pouca agressividade na política de comércio exterior", disse o tucano. Ele lamentou a postura adotada pelo Mercosul que, segundo ele, não conseguiu firmar as zonas de livre comércio entre os integrantes do bloco. "Vai fazer um acordo com a Índia, mas não pode porque o Brasil tem que levar os outros quatro países. Isso dificulta os acordos de livre comércio pelo mundo afora", disse. "O Mercado Comum Europeu e a União Econômica México-Estados Unidos começaram com uma zona de livre comércio."

Taiana, homem de confiança da presidente Cristina Kirchner, afirmou que "o Mercosul está vivo", mas adotou cautela diplomática, dizendo que Serra fez "declarações de campanha".

Outros tucanos reagiram às afirmações do argentino. "O chanceler tem direito de ter a opinião dele, como o Serra tem o direito de expressar a dele", afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA). "O Mercosul não progrediu como se esperava."

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também criticou os integrantes do Mercosul. "Estão mais interessados em medalhas do que em conquistas", afirmou. "É preciso de fato consolidação." / COLABORARAM ANA PAULA SCINOCCA e ANNA RUTH DANTAS, ESPECIAL PARA O ESTADO, DE NATAL

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