Chances de localizar caixas-pretas são pequenas, diz França

Estado-Maior das Forças Armadas acredita que será necessária muita sorte para achar objetos no Atlântico

Andrei Neto, correspondente de O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 16h38

O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da França, capitão Christophe Prazuck, afirmou no início da noite (tarde no Brasil) desta quarta-feira, 10, em Paris, que as chances de que as caixas-pretas do Airbus AF 447 sejam localizadas no Atlântico "são muito pequenas". "Vamos precisar de muita sorte", disse. A avaliação foi feita no dia em que o submarino nuclear Emeraude, equipado de sonares ultrassensíveis, chegou à região do acidente para auxiliar nas buscas.

 

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De acordo com Prazuck, a embarcação vai rastrear a cada dia uma área de 36 quilômetros quadrados de forma a varrer toda a extensão da área delimitada em águas de controle brasileiro - situada a 1,15 mil quilômetros da costa de Recife -, onde o avião supostamente teria caído. A verificação será feita com ajuda de 72 tripulantes e de "ouvidos de ouro", como são chamados os sonares passivos da nave, compostos por hidrofones, microfones submarinos integrados ao casco.

 

Apesar do esforço - pela primeira vez na história da França um submarino é empregado nas buscas de destroços de um avião -, Prazuck não alimenta ilusões. Questionado pela rede de TV pública France 2, o porta-voz explicou que o possível baixo nível das emissão de rádio pelas balizas afixadas nas caixas-pretas e a existência de cânions abissais na região tornam as buscas difíceis. "Não sabemos nem mesmo se as balizas ainda emitem. As chances de encontrarmos as caixas-pretas são muito pequenas", resumiu.

 

Horas antes, Jérôme Erulin, chefe da Divisão do Serviço de Informação da Marinha, havia se mostrado mais otimista. "O Emeraude vai se comportar como um grande balão dirigível que circula em uma cadeira de montanhas com um binóculo", definiu. "Nós conhecemos a zona de buscas e poderemos detectar as emissões."

 

Como complemento ao Emeraude, chega hoje à região o Pourquoi pas?, navio que traz consigo um submarino robô capaz de vascular o fundo do oceano em grandes profundidades. É esse submarino que, em tese, será encarregado de recuperar o Flight Data Recorder (FDR), gravador dos parâmetros de voo, e o Cockpit Voice Recorder (CVR), que registrou as conversas da tripulação durante o voo. Todos os dois têm o tamanho de caixas de sapatos.

 

Além das embarcações de buscas às caixas-pretas, as Forças Armadas da França também reforçam suas esquadras para a procura dos corpos das vítimas com o navio de guerra Mistral, equipado de helicópteros.

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