Chapa ''Dilmasia'' abre crise entre PT e PMDB de Minas

Ao propor dobradinha com o governador de Minas, pré-candidata petista causou reação de Hélio Costa, também candidato à reeleição

João Domingos e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

As direções do PT e do PMDB fizeram ontem uma operação de emergência na tentativa de estancar a crise causada pelas declarações da pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, que propôs uma dobradinha com o tucano Antonio Anastasia, governador de Minas e candidato à reeleição.

Dilma disse que em Minas poderia fazer o movimento "Dilmasia", uma composição com Anastasia, assim como no passado houve o "Lulécio" - Lula e Aécio.

Como a reação do ex-senador Hélio Costa às declarações de Dilma foram imediatas - ameaçou até apoiar Serra, com o movimento "Serrélio" -, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), tentou acalmar o companheiro de partido. "Não é hora de arrumar confusão. É preciso que todos se acalmem", teria dito a Hélio Costa, de acordo com um parlamentar do PMDB.

No PT ocorreu o mesmo. O presidente José Eduardo Dutra conversou com Michel Temer sobre a necessidade de evitar que a crise de Minas Gerais ganhe contornos maiores.

Dilma foi aconselhada a telefonar para Hélio Costa e dizer que, no fundo, queria pregar a necessidade de formação de um palanque único, que una PT e PMDB. Ela ligou, mas ele já tinha dado a declaração de que a candidatura da ex-ministra poderá "morrer pela boca" e que, se for o caso, vai para os braços de José Serra.

Gafes. Nesta semana, Dilma envolveu-se em duas trapalhadas políticas. Numa, ao lado do ex-governador Anthony Garotinho (PR), que lhe declarou apoio, recomendou cuidado com os "lobos em pele de cordeiro". Em outra, propôs a dobradinha com Anastasia. Nos dois momentos estava só, sem a presença de seu criador e protetor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso, a cúpula do partido decidiu fazer advertências à candidata. Alguns dirigentes chegaram a dizer a Dilma que ela deve ter mais cuidado com as palavras porque tudo pode ser usado "de forma maldosa" pelos adversários. Houve críticas também à aglutinação dos nomes dos dois candidatos, pois "Dilmasia" poderia remeter a "azia", "dor de estômago" e outras "maldades".

Em público, porém, coordenadores da campanha de Dilma procuraram amenizar suas declarações sobre uma parceria do PT com o governador Antonio Anastasia. "A melhor forma de os partidos da base aliada em Minas não deixarem espaço para o crescimento de um movimento "Dilmasia" é a unidade para definir quem é o candidato único a governador e quem concorrerá ao Senado", afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

"Não existe vácuo na política. Enquanto só há candidato a governador do Aécio (ex-governador que deve concorrer ao Senado), os prefeitos vão ficar fazendo comitês do tipo Dilmasia. Há prefeitos do PSDB e do DEM que vão apoiar Dilma por conta da boa relação com o governo federal", insistiu Padilha.

A afirmação do ministro teve endereço certo: em Minas, o PT e o PMDB até agora não conseguiram acertar a chapa para a sucessão de Aécio. Do lado petista, tanto o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel quanto o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias querem disputar o Palácio da Liberdade. O problema é que o senador Hélio Costa também é candidato. E conta com o apoio de Lula. O presidente acha que o PT deve ceder a indicação a Costa para evitar problemas na montagem do palanque de Dilma.

"Em nenhum momento Dilma defendeu algo fora da política de alianças em Minas, pois todos sabem que somos parceiros do PMDB", disse o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), secretário-geral do PT.

"Foi uma brincadeira que ela fez sobre a sonoridade da expressão "Dilmasia" e alguns estão querendo extrair daí uma crise inexistente."

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