''Check-up'' pela CET reprova 83%

Veículos inspecionados tiveram ao menos 1 problema mecânico grave

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fez "check-up" na frota paulistana e identificou que 83% dos veículos inspecionados apresentam ao menos um problema grave de mecânica, como falhas no freio, vazamento no óleo ou desgaste de peças, o que pode resultar em acidentes ou ampliar os congestionamentos na capital. O levantamento foi feito com 1.008 carros e caminhonetes que passaram pela inspeção veicular gratuita (e voluntária) nos pátios da companhia, entre setembro de 2008 e abril deste ano.O diagnóstico "doente" serve para explicar o grande número de carros quebrados nas ruas. "A cidade tem a maior frota circulante do País, que trafega em vias que não foram planejadas para tantos veículos", avalia Antônio Carlos Bento, diretor do Grupo de Manutenção Automotiva (GMA), entidade que reúne representantes do setor da reposição automotiva (Sindipeças, Andap, Sicap, Sincopeças-SP, Sindirepa-SP e o Instituto da Qualidade Automotiva). "Ainda que a condição da via contribua para problemas automotivos (com os buracos, por exemplo), a grande responsabilidade é do motorista, que negligencia a manutenção."Segundo o consultor de trânsito e diretor da ONG Direção Preventiva, Sérgio Berti, o custo da manutenção é o que afasta as pessoas. "Nenhum carro quebra sem avisar. Na maioria das vezes, o painel acende uma luz, um barulho diferente alerta que há alguma coisa errada", afirma. "Mas o preço da manutenção acaba sendo um empecilho. O que é um erro, afinal o custo corretivo é muito maior."Salomão Rabinovich, presidente da Associação de Vítimas de Trânsito (Avitran), afirma que há relação íntima entre acidentes e falta de manutenção. Uma pesquisa de 2002 evidenciou essa relação. Na investigação dos fatores que influenciaram 2 mil acidentes, foi identificado que 72% dos veículos envolvidos tinham problemas no sistema de freios, 39% estavam com a direção malconservada e 22% tinham pneus em estado precário - tratava-se de um estudo contratado pelo Sindpeças e entidades da categoria, feito com 3 mil veículos.Os problemas encontrados na pesquisa antiga são parecidos com os apontados na inspeção atual feita pela CET na frota paulistana, o que mostra o risco de acidentes. O professor do Departamento de Trânsito da Poli-USP Cláudio Marte reitera que além dos carros de passeio, ônibus e caminhões também precisam passar por uma manutenção periódica.

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