Chefe da Força-Tarefa do Rio ironiza e nega pedido de Aguiar

O comandante da Força Tarefa criada para combater o crime organizado no Rio de Janeiro, delegado da Polícia Federal, Getúlio Bezerra, descartou a possibilidade de o governo federal contratar policiais ou remanejar homens de um estado para o outro para ajudar a Polícia Militar, como pediu ontem o secretário de Segurança, Roberto Aguiar. "Não haverá intervenção no Estado e nem desembarque de tropas como ocorreu na Normandia", ironizou Getúlio Bezerra. Ele anunciou ainda que até o final da semana que vem pretende ter em mãos um planejamento do volume de recursos que serão necessários para instalar uma unidade modelo de inteligência da PF no Rio, que servirá como principal suporte operacional para a busca da rota de drogas, em todo o País, que será o principal enfoque do seu trabalho."Em 90 dias pretendo que esteja funcionando esta unidade-modelo que terá como foco da investigação as drogas porque ela arrasta as armas, o crime organizado e a lavagem de dinheiro", disse Bezerra, explicando que nesta delegacia, o trabalho será essencialmente de inteligência. A nova delegacia, segundo ele, é uma antiga pretensão da PF, servirá para treinar policiais não só federais, mas de outras instituições. As declarações do delegado foram feitas à saída do Palácio da Alvorada, depois de mais de uma hora e meia de reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça, Miguel Reali. Getúlio Bezerra salientou que se em 90 dias ele conseguir instalar a Força Tarefa e a unidade considera que a sua missão estará cumprida. "Não somos super-xerifes", acentuou o delegado, ao avisar que a PF não vai trabalhar diretamente no combate à criminalidade no Rio, pois esta é uma tarefa da Secretaria de Segurança do estado. Ele lembrou ainda que recebeu a missão há apenas 48 horas, que estão iniciando os trabalhos e, enquanto isso, a polícia do Rio está fazendo também a sua parte. "Precisamos quebrar a expectativa de que vai ter intervenção", falou ele, ao insistir que não haverá também criação de nenhuma polícia nova. "Vamos trabalhar com os meios que dispomos", disse ele, que acredita que assim que o planejamento estratégico estiver pronto, irá apresentá-lo aos seus superiores e, então, acredita que os meios serão disponibilizados para que se possa dar prosseguimento ao trabalho de apoio ao governo do Estado. "O foco da nossa investigação é a droga, fazendo um complexo trabalho de inteligência, interligado com todos os órgãos e estados, além de incrementar ações com países vizinhos." De acordo com o delegado, o Rio é um centro de consumo e o importante é se conseguir detectar toda a rota de distribuição do tráfico, para que ela possa ser eliminada. Por isso, o trabalho terá a colaboração também da Coafi e da Receita Federal, pois é preciso combater a lavagem de dinheiro. "Não vamos isolar o Rio", assegurou ele, lembrando que já detectaram rotas passando pelo Paraguai e pelo nordeste. "Não há pirotecnia", disse ele, ao informar que a unidade modelo da PF no Rio servirá como uma escola de formação de pessoal para trabalhar em inteligência, com treino e reciclagem de agentes e policiais de outras forças. Depois de reconhecer que há carência de pessoal, Bezerra acentuou que quando a PF recebe uma missão ela se multiplica para cumprí-la. O delegado não quis dar detalhes de como executará seu trabalho de busca de informações e que não houve cobrança por parte do presidente em relação ao Rio. "Estou há apenas 48 horas no cargo", comentou ele, que não quis dizer também se ele estava indo para o Rio. "Vou para o espaço", ironizou ele.

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