Chefe da PF critica anistia para dinheiro repatriado

O delegado Roberto Troncon Filho, da Polícia Federal, criticou duramente ontem o projeto de anistia para valores repatriados do exterior. "A Polícia Federal é contra", declarou Troncon, ao final de seminário sobre segurança pública, realizado na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo.

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2011 | 00h00

"Esta não é uma boa mensagem para os cidadãos que cumpriram suas obrigações, declararam seus bens e pagaram tributos", disse Troncon, ex-diretor-geral de Combate ao Crime Organizado da PF, que assumirá o cargo de superintendente regional da instituição em São Paulo. "Essas pessoas se sentirão lesadas ou injustiçadas. Que mensagem fica?"

O projeto, de autoria do senador Delcídio Amaral (PT-MS), prevê anistia àqueles que enviaram recursos para o exterior sem comunicar o Banco Central e sem declarar tais ativos à Receita Federal. O governo calcula que US$ 100 bilhões poderão reingressar no País. O senador afirma que os críticos do projeto estão equivocados. Segundo ele, sua proposta impõe barreiras ao processo de repatriação "separando o dinheiro bom do dinheiro ruim".

Promotores de Justiça e juízes federais alertam, porém, que dinheiro cuja fonte foi a corrupção e fraude contra o Tesouro poderá retornar ao País, protegido pela anistia.

"No passado, o argumento era que muito dinheiro e muitas riquezas enviados para o exterior fazia falta na economia brasileira", disse Troncon. "Hoje, o argumento é diferente. Nossa moeda está muito forte e a entrada desses recursos vai abrir um problema econômico. A pressão é muito forte. Afora isso, queremos segurança jurídica. As pessoas que cometeram crimes vão aguardar por uma futura anistia."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.