Chefe da PM na zona norte é executado

Suspeita é de que policial matou oficial; atirador usava coturno, diz testemunha

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2008 | 00h00

O coronel José Hermínio Rodrigues, de 48 anos, chefe da Polícia Militar na zona norte de São Paulo, foi executado ontem com pelo menos cinco tiros quando passeava de bicicleta na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, no Mandaqui. Fornecidas por testemunhas, as características do assassino levantaram a suspeita de se tratar de um policial - o coronel investigou chacinas atribuídas a PMs na região. O atirador, um homem moreno que chegou ao local de moto, usou as duas mãos para empunhar a arma e fazer mira. Vestia coturno de cano curto. Foi rápido e certeiro.A cúpula da segurança pública no Estado preferiu ser cautelosa sobre as motivações do crime. "Qualquer afirmação neste momento é uma absoluta irresponsabilidade", afirmou o secretário Ronaldo Marzagão.Descrito pelos colegas de turma na Academia da PM e pelo comandante-geral, coronel Roberto Antônio Diniz, como "um excelente oficial, rígido e disciplinador", Hermínio ocupava havia um ano o Comando de Policiamento de Área Metropolitano-3 (CPA-M3), responsável pelo patrulhamento da zona norte, em 2007. Na época, seu maior desafio era combater o narcotráfico na região e as constantes chacinas, algumas das quais tinham como suspeitos policiais do 18º Batalhão da PM.Recentemente, o coronel esteve no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Sobre as chacinas, disse aos delegados do departamento: "Eu não compactuo com coisa errada. Se tiver de cortar na carne, eu vou cortar." De fato, as chacinas pararam na zona norte.Ontem era o primeiro dia das férias de Hermínio. Como sempre fazia, ele saiu pela manhã para andar de bicicleta. Parou em uma padaria no trajeto e depois prosseguiu. Por volta das 10h30, o assassino, em uma Honda Falcon preta, ultrapassou-o e parou 20 metros adiante. Ficou esperando Hermínio.Quando o oficial se aproximou, o homem sacou a pistola. O primeiro tiro foi dado com o cano quase encostado na cabeça do coronel, porque chamuscou a pele. A bala atravessou o crânio. Hermínio caiu e o matador fez pelo menos mais quatro disparos. Acertou os braços e o abdome. Em seguida, guardou a arma, subiu na moto e sumiu.O criminoso permaneceu o tempo todo de capacete com a viseira fechada. "As características do crime nos levam a crer em execução, mas nós não podemos descartar nenhuma hipótese", disse o delegado Marcos Carneiro Lima, do DHPP. "Não levaram nada dele", disse um oficial.

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