Chefe da Polícia exige detalhes dos depoimentos no caso Shell

O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Álvaro Lins, criticou ontem o fato de a polícia ter sido impedida de acompanhar o depoimento dos dois filhos mais velhos do casal Zera Todd, diretor de gás e energia da Shell no Brasil, e Michelle Stahelli, assassinados a golpes enquanto dormiam, num crime misterioso ocorrido há uma semana. Ele disse que, se necessário, vai pedir à Justiça que tome medidas para garantir o acesso às informações. Na sexta, quando a adolescente de 13 anos e o garoto de 10 foram ouvidos, a juíza Maria Angélica Guedes, do 4º Tribunal do Júri, só autorizou a presença de parentes e dos advogados contratados pela família.Na sexta-feira à noite, a Justiça decretou que os filhos do casal só podem deixar o país com autorização da 2ª Vara da Infância e Juventude. Antes de saber da decisão judicial, o advogado da família, João Mestieri, disse que eles não iriam participar da reconstituição do crime e devem deixar o País em breve. Procurado ontem para comentar a determinação, Mestieri não retornou as ligações. Existe a possibilidade de que ele venha a pedir adiamento da reconstituição.Segundo o chefe da Polícia Civil, uma das várias dúvidas que ainda cercam o crime é o paradeiro das roupas usadas pelos quatro filhos do casal no dia do assassinato. A filha mais velha de Zera e Michelle contou que as manchas de sangue encontradas em seu quarto seriam da roupa da irmã mais nova. A criança teria se sujado quando deitou entre os pais, de madrugada. Mas Lins questionou ontem a versão. "Nenhum dos policiais percebeu qualquer mancha de sangue nas crianças", disse.Embora Garotinho não tenha, em momento algum, se referido a nenhum dos quatro filhos do casal como suspeitos de participação no crime, desde o início das investigações, insinua sua desconfiança de que tenha havido colaboração de alguém da casa no assassinato. Ele disse estar intrigado com o fato de a machadinha - que teria sido guardada em um armário do quarto do garoto de 10 anos, na véspera do crime - ter sido encontrada pela polícia no banheiro da filha mais velha, de 13 anos, junto a uma carta que Michelle escrevera para ela. E por diversas vezes, durante o programa, indagou Lins sobre este detalhe.Difícil solução - Garotinho já admitiu que o crime pode ser de difícil solução. Até agora, apesar do uso de técnicas modernas de perícia, a polícia não encontrou a arma do crime e nem sabe como o criminoso, ou criminosos, entrou na casa, situada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste. Além do depoimento de testemunhas, resultados de exames feitos pela perícia podem ajudar a solucionar o mistério.

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