Chefe da polícia reafirma tese do suicídio de traficante

Nivalda da Cruz Barbosa, mãe do traficante André da Cruz Barbosa, o André Capeta, que morreu no dia 12 em circunstâncias ainda não esclarecidas, confirmou nesta sexta-feira em depoimento ao delegado Milton Cerqueira, da 22.ª DP (Penha), que o filho era canhoto. A informação, segundo o chefe da Polícia Civil, delegado Zaqueu Teixeira, é um "dado significativo", mas não conclusivo, na investigação da hipótese de que o criminoso se suicidou com um tiro do lado esquerdo da cabeça. Capeta era integrante da quadrilha de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e um dos principais acusados pela morte do jornalista da Rede Globo Tim Lopes."Precisamos de outros testemunhos, outros depoimentos, de outras circunstâncias, para comprovar essa tese", disse Teixeira. "Eu digo e reafirmo: um tiro com o cano encostado na têmpora, de baixo para cima, é um indicativo forte da possibilidade do suicídio." Ele ressaltou, porém, que a possibilidade de homicídio continua sendo investigada. Segundo a Polícia, o laudo conclusivo sobre o caso deve ser divulgado no próximo dia 28. O documento dirá se Capeta era canhoto e se tinha resíduos de pólvora na mão, o que comprovaria que ele fez o disparo.Acompanhada de dois familiares, Nivalda deixou à delegacia sem dar entrevistas. Ela é vizinha do bombeiro Luiz Gustavo Rangel Euzébio, que socorreu Capeta e é acusado de favorecimento pessoal e falsidade ideológica de terceiros, por ter fornecido um nome falso para o criminoso ser internado. O bombeiro - investigado pela Corregedoria Geral Unificada também pelo suposto fornecimento de fardas para Elias Maluco - reafirmou ontem em depoimento ter sido coagido por traficantes armados, mas, segundo a polícia, imagens do circuito interno de um dos hospitais mostram o contrário.Teixeira negou ter indícios de que policiais estejam vendendo proteção a Elias Maluco. "As nossas investigações, até agora, não apontam para policiais protegendo Elias. Caso isso aconteça, nós iremos agir contra esses maus policiais." Para o delegado, "quem tem que se pronunciar sobre as denúncias é a corregedoria de polícia".A coordenadora de Segurança Pública, Justiça, Defesa Civil e Direitos Humanos, Jaqueline Muniz, disse que a corregedoria é independente da secretaria da Segurança Pública e subordinada diretamente à governadora. Ela negou que o secretário Roberto Aguiar tenha criticado o corregedor Aldney Peixoto, que confirmou a existência de denúncias contra policiais. Procurado pelo Estado, o corregedor não foi localizado.

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