Chefe do pedágio londrino volta a NY

Responsável por inovações no centro da capital inglesa promete ?decisões difíceis? e até impopulares nos EUA

Simon Akam, O Estadao de S.Paulo

18 Julho 2009 | 00h00

Ele colocou chips de computador nas carteiras dos usuários do transporte coletivo em Londres, estabeleceu uma tarifa para os que trafegam de carro na zona central da cidade e ajudou a trazer a próxima Olimpíada para a capital inglesa. Agora Jay Walder, um especialista na área de transportes públicos que ajudou a transformar o antigo sistema de trânsito de Londres em objeto de inveja, apesar de caro, pretende levar seu estilo de reforma "high tech" do trânsito para a cidade onde ele começou a trabalhar, Nova York. Aos 50 anos, Walder foi nomeado presidente da Autoridade de Transportes Metropolitanos, a maior agência de gerenciamento de trânsito do país, que há apenas dois meses estava à beira do colapso financeiro. O governador David Paterson diz tê-lo escolhido porque é um líder independente, que trará mais eficiência e responsabilidade à agência, alvo perene das reclamações dos moradores da cidade. Mas a votação no Senado do Estado, para confirmar sua nomeação, só deverá ocorrer em algum tempo, depois que os senadores retornarem de seu recesso de verão. Enquanto isso, Walder não dá muitos detalhes sobre seus planos e diz apenas que deverá "tomar decisões difíceis e às vezes impopulares". "Certamente, tenho de ter os olhos abertos. Fiquei longe da cidade por 15 anos e tenho de me inteirar de muita coisa." Nascido em Rockaways, no Queens, Jay Walder iniciou a carreira no serviço público nos dias mais sombrios do sistema de trânsito de Nova York, quando o grafite e o crime proliferavam na cidade. Ele ajudou a tirar a agência do buraco negro financeiro em meados da década de 80 e assumiu várias posições de liderança, tendo ocupado o cargo de diretor financeiro, antes de se mudar para Londres, em 2001. Sua experiência na capital inglesa, como diretor de finanças e planejamento do Departamento de Transportes de Londres, presidido por Robert Kiley, seu ex-chefe em Nova York, pode dar algumas pistas sobre o que os nova-iorquinos devem aguardar no futuro. Jay Walder introduziu o cartão Oyster, um "smart card" que usa chip de computador para motoristas acompanharem extratos de conta e tarifas. Ao contrário do MetroCard, com sua fita magnética familiar, o Oyster não exige nenhum contato: basta acená-lo sobre um sensor. No ano passado, como consultor da McKinsey & Co, ele disse que elementos do "smart card" seriam viáveis em Nova York. O departamento de transportes iniciou um programa piloto para implementar um cartão de pagamento de tarifa que dispensa contato com a máquina. Em Londres, o bilhete do metrô custa no mínimo US$ 2,60, mas pode chegar a US$ 20, dependendo do trajeto e da hora do dia. Ele também teve papel decisivo no programa de cobrança de uma tarifa dos motoristas que trafegam pelo centro de Londres, que no início provocou indignação, mas no fim foi bem recebido, como um meio de reduzir os congestionamentos. Um plano similar, proposto pelo prefeito Michael Bloomberg, foi barrado pela Câmara no ano passado.

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