Chefes do ''centrão'' concentram 20% das emendas

Maior parte das 5.543 propostas parlamentares visa a atender ?interesses paroquiais? dos vereadores de SP

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

A maior parte das 5.543 emendas apresentadas ao orçamento de 2009 prevê ações em redutos mantidos há mais de uma década por caciques da Câmara Municipal de São Paulo. É o caso dos recordistas Milton Leite (DEM) e Antonio Carlos Rodrigues (PR), dois dos principais políticos com influência sobre regiões pobres da zona sul e líderes do "centrão". Ambos são aliados do prefeito Gilberto Kassab (DEM) e concentraram 19,8% do total de propostas que podem virar projetos no próximo ano - a média de emendas para cada um dos 55 parlamentares foi de 100,78.Leite, relator que indicou um corte de R$ 2,2 bilhões no orçamento, apresentou "mais de 600 propostas" que beneficiam principalmente o eixo do extremo sul localizado entre Capela do Socorro e Parelheiros, onde está seu reduto eleitoral. O vereador inicia em janeiro o quinto mandato, após obter a quarta maior votação para o Legislativo (80.023 votos). "Cada vereador terá em média até oito emendas acatadas, dentro do limite de R$ 2 milhões. O número alto de propostas, no meu caso, atende às demandas que recebi (nas audiências) do orçamento", argumentou Leite.Na terça-feira, a Comissão de Finanças discute a inclusão das propostas. A nova peça orçamentária será votada em plenário na sexta-feira. Por meio de 491 emendas, o presidente da Câmara também tenta levar benefícios para a região de sua base eleitoral, o Campo Limpo. Eleito (43.590 votos)em outubro pela terceira vez, Rodrigues chegou a ser condenado naquele mês em processo por improbidade administrativa, mas conseguiu suspender os efeitos da pena com ação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).O presidente da Câmara defendeu as emendas nas regiões de atuação dos vereadores. "Não significa que as 491 emendas vão ser aceitas. Eu coloquei a demanda da população da minha região e tenho uma cota de R$ 2 milhões. Vamos ver o que será aceito agora", afirmou Rodrigues, que deve ser reeleito no dia 1º de janeiro para um terceiro mandato na presidência do Legislativo.Rodrigues declarou que pretende atender a antigas reivindicações de seus eleitores, como o prolongamento da Avenida Carlos Caldeira, no Capão Redondo. A única emenda coletiva, de R$ 22,5 milhões, que beneficia o projeto das Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs) de especialidades, foi colocada na peça orçamentária por parte da bancada governista do PSDB. A tucana Mara Gabrilli, que apresentou emendas para melhorar a acessibilidade das ruas, não participou da proposta coletiva.O PT, com 12 vereadores de oposição, apresentou R$ 1 bilhão em ações que beneficiam desde as chamadas "paróquias eleitorais" de alguns vereadores até a expansão do Metrô, um projeto do atual governo. "Eu repeti minhas propostas que não foram executadas neste ano", disse Paulo Fiorilo (PT), com 60 propostas apresentadas.Para o cientista político da PUC-SP Cláudio Couto, os vereadores propõem um número alto de emendas para dizer aos seus eleitores que tentaram atender às demandas. "É até natural que os vereadores prestem contas a seus eleitores por meio das emendas. Se uma emenda não é contemplada, ele pode pelo menos dizer ao seu eleitor que tentou fazer."

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