Divulgação/Polícia Militar
Divulgação/Polícia Militar

Natal registra ataques a ônibus e delegacias após transferência de presos

Crimes forçaram empresa de ônibus a recolher veículos e a prefeitura determinou que táxis, vans escolares e carros credenciados façam o serviço de lotação

Marco Antônio Carvalho, Enviado especial

18 Janeiro 2017 | 19h07
Atualizado 19 Janeiro 2017 | 00h18

NATAL - Onze ônibus foram atacados nesta quarta-feira, 18, em Natal, após a transferência de presos da Penitenciária de Alcaçuz para a Penitenciária Estadual de Parnamirim . Outro veículo do governo também foi atacado e há relatos de tiros contra duas delegacias da cidade. A capital potiguar vive uma crise no sistema penitenciário, com uma rebelião que matou 26 pessoas em Alcaçuz, no sábado passado. A Polícia Militar informou ao Estado que os crimes têm relação com a disputa entre as facções. Os ataques forçaram a empresa a recolher os veículos e a prefeitura determinou que táxis, vans escolares e carros credenciados façam o serviço de lotação para suprir a demanda.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal (Seturn) oito dos 11 incêndios aconteceram na garagem da empresa São Geraldo localizada às margens da rodovia BR-226, no bairro de Felipe Camarão, zona oeste de Natal. "Invadiram a portaria e colocaram fogos em todos os veículos que estavam na garagem", disse o consultor técnico do sindicato, Nilson Queiroga.

Outro veículo, dessa vez da linha urbana, havia sido dominado e incendiado no início da tarde. Outros dois ônibus, no início da noite, também foram atacados enquanto aguardavam passageiros no terminal Vale Dourado, na zona norte da capital potiguar. "Não há condição nenhuma de seguir operando. Os crimes dão prejuízos e deixam os trabalhadores sem condições psicológicas de seguirem atuando", acrescentou Queiroga.

Policial relata ataques; ouça

Segundo ele, as linhas corujões, que operam a partir de meia-noite, também terão o funcionamento suspenso. Para garantir a retomada do serviço nesta quinta-feira, 19, o sindicato pediu auxílio da Polícia Militar, para que haja vigilância nas garagens das empresas. 

Em nota na noite desta quarta, a Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos (STTU) informou que, por causa dos ataques, autorizou táxis, transporte escolar e veículos credenciados a realizarem o serviço de lotação, "já que os veículos do sistema regular de transporte foram recolhidos às garagens". "Os serviços de lotação deverão cobrar o valor da passagem inteira, ou seja, R$ 2,90, e estão dispensados de cobrar meia passagem", declarou a administração municipal. 

O secretário de Segurança Pública, Caio César Bezerra, disse, em relação aos ataques nas ruas da capital nesta quarta, que "há algum tipo de situação vinculada às transferências" dos presos de Alcaçuz. Ele disse que as investigações sobre os crimes estão ocorrendo e tentou tranquilizar a população. "Estamos preparados, as polícias estão integralmente mobilizadas e as investigações estão em curso. A população pode ficar tranquila e realizar suas atividades normalmente", disse. 

Mais cedo, o 1º Distrito Policial, localizado no centro, e o 14º DP em Felipe Camarão haviam sido alvos de disparos de criminosos não identificados. A polícia acredita que a sequência de ataques seja uma reação à transferência de integrantes do Sindicato do Crime (SDC) da Penitenciária de Alcaçuz para Parnamirim, ambas na Grande Natal. O SDC foi alvo de um ataque do PCC no sábado, 14, e reclamava a permanência na unidade prisional e mudança dos rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC), o que não ocorreu. 

Na frente de Alcaçuz na tarde desta quarta, familiares dos detentos ligados à facção potiguar prometiam ataques na cidade caso ele deixassem a cadeia em Nísia Floresta. No ano passado, o SDC foi apontado como o responsável por 108 ataques em 38 cidades, entre julho e agosto, em reação à instalação de um bloqueador de sinal de celular no presídio de Parnamirim.

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