Chega à rede o primeiro game de mudança social

Jogo virtual ensina e leva jovens a promover mutirões

, O Estadao de S.Paulo

04 Julho 2009 | 00h00

Atuar no seu melhor papel de cidadão: transformar o mundo, começando pela vizinhança até chegar a comunidades carentes. Essa é a principal missão de um jogo virtual, o Oásis, que caiu na rede e já tem mais de 3 mil integrantes. Sucesso principalmente entre jovens universitários paulistanos, aos poucos ele está se espalhando pelo País. Mais do que uma diversão, as estratégias propostas por essa espécie de gincana capacita grupos a exercerem a cidadania de forma organizada. E o mais importante é que as ações não são apenas virtuais, e acabam produzindo resultados práticos de transformações sociais. A ideia está fazendo sucesso fora do Brasil. Tanto sucesso que o projeto foi escolhido entre os cem mais originais do mundo pela Conferência das Partes (COP), que discute o Protocolo de Kyoto. O portal do Oásis Mundi (http://oasismundi.ning.com) está recheado de testemunhos, vídeos de grupos que passaram por essa experiência. O material emociona e mobiliza. O produtor cultural Dimas Reis, de 21 anos, que mora em Brasilândia, zona norte de São Paulo, resolveu começar pelo seu bairro. "Aqui tinha um galpão abandonado, antigo cinema, que virou um local de drogas e crimes." Gabriel Agrelli Moreira, de 18 anos, estudante de Relações Internacionais da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (Esalq), de Campinas, se empolgou tanto que já organizou 24 Oásis. Para propor um Oásis é preciso já ter participado de ao menos um que já esteja em andamento. O de Santa Catarina, o mais forte de todos, com 1.700 participantes, tem como missão ajudar dez cidades destruídas pelas enchentes do ano passado. Para se inscrever era necessário montar um time, de cinco pessoas ao menos. "No segundo estágio do jogo, o grupo recebia a missão de conseguir mais 35 participantes com habilidades diferentes", explica o arquiteto Edgar Gouveia Júnior, mentor do jogo. Depois eles se reúnem. "Todos têm de dizer suas habilidades e o motivo de estar ali se envolvendo numa ação social." Os depoimentos são gravados e colocados no portal. Numa terceira etapa, o time tem de conseguir apoiadores: dez cada um. "Essas 400 pessoas a mais que entram no jogo dão suporte a distância." São técnicos, engenheiros, médicos, que podem ser fundamentais dependendo do tipo de ação. A comunidade que será ajudada também participa paralelamente, com outro time, recebendo missões, como a de identificar os profissionais que atuam na região. Postam na internet os sonhos da comunidade e elegem um deles. O time dos universitários monta projetos, que serão julgados pela comunidade. Quando os ponteiros são acertados, vem a etapa seguinte: dois dias de mutirão. Os 40 universitários vão até o local. "Ali não há chefe", diz Aline Ferraz, de 22 anos, estudante de Administração da Fundação Getúlio Vargas, que participou de um Oásis no Jardim Gaivotas, próximo da Billings, na zona sul de São Paulo. São distribuídas oito cartas, que definem as funções. Os anfitriões, por exemplo, recebem os jogadores para que ninguém fique deslocado. Personagens "duendes" cuidam para que o trabalho não afete o meio ambiente. Gouveia Júnior transportou para a internet uma ação de capacitação, o Guerreiro sem Armas, antes só levada às empresas inclinadas a ter uma participação social. "As pessoas querem ajudar e não sabem como." "No Guerreiro sem Armas vi que a estratégia de fato funcionava, mas de forma lenta, por isso desenvolvemos um jogo virtual. Já tem gente de outros países participando. O objetivo é que a ideia se espalhe."

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