Chega o último dia de vida da Casa de Detenção

Acabou o inferno. A frase é de um agente penitenciário que trabalhou no maior presídio da América Latina - a Casa de Detenção, no Carandiru - nos últimos 20 anos. Neste domingo (15), às 9 horas, saem para o interior do Estado "bondes" com os últimos 76 presos, encerrando 46 anos de história. Luiz Pereira da Costa lembra que quando atravessou os portões do presídio, no primeiro ano da gestão Franco Montoro, era tudo diferente. Preso obedecia, não havia crime organizado e a distribuição para evitar que presos perigosos cumprissem pena com primários era respeitada. No Pavilhão 8, ficavam reincidentes. No 9, os primários e no 2, os de bom comportamento. Nos demais, estelionatários, receptadores e autores de furtos. Costa assistiu a rebeliões, agressões, ameaças, fugas. Foi refém várias vezes. Estava de plantão em 2 de outubro de 1992, dia do maior massacre da história do sistema carcerário do País, que terminou com a morte de 111 presos. "Os funcionários saíram do pavilhão 9, a PM tomou conta e deu no que deu." Costa quer esquecer a masmora da Avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte da capital. "Isso aqui não dá saudade, dá tristeza. Muitos que chegaram eram filhos de presos que cumpriram pena nos últimos anos." Construída em 1956 para 3.250 presos, a Detenção chegou a abrigar 8 mil. Costa e outros 99 agentes - os últimos que ficaram na Detenção de um total de 1.200 - foram designados para trabalhar nos Centros de Detenção Provisória (CDPs) inaugurados na capital e na Grande São Paulo. A desocupação da Detenção, que dará lugar ao Parque da Juventude exigiu investimentos de R$ 100 milhões na construção de 11 prisões no interior.

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