Corpo de Bombeiros do MS/Divulgação
Corpo de Bombeiros do MS/Divulgação

Chegada de frente fria reduz progressão de incêndios no Pantanal do Mato Grosso do Sul

Propagação das chamas diminuiu em função da umidade relativa do ar, que aumentou com as chuvas que caíram em Campo Grande

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2022 | 20h05

SOROCABA - A chegada de uma frente fria ao estado reduziu o ritmo no avanço dos incêndios que há mais de uma semana atingem a região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Embora as pancadas de chuva que caíram na capital, Campo Grande, não tenham atingido a região pantaneira, a temperatura caiu e a umidade relativa do ar aumentou, tornando as condições menos propícias para a propagação das chamas, segundo o Corpo de Bombeiros do Estado.

Nesta terça-feira, 12, as equipes combatiam focos no município de Corumbá e na região de Porto Murtinho, já na fronteira com a Bolívia. Em Corumbá, à tarde, a temperatura havia caído para 24 graus - nos dias anteriores ficou acima de 30.

Com as chamas altas controladas, as equipes continuavam combatendo o fogo de turfa (incêndio rasteiro que atinge o subsolo) na região do Parque Estadual Pantanal do Rio Negro, entre os municípios de Aquidauana e Corumbá. Duas guarnições de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros Militar atuavam na região, com apoio de brigadas locais. Conforme o Instituto SOS Pantanal, dos 78 mil hectares da reserva, ao menos 10 mil foram atingidos pelas chamas dos últimos dias. O parque abriga espécies ameaçadas, como a onça-pintada.

Em outra frente, já em Porto Murtinho, os bombeiros usaram técnicas de aceiro negro (fogo contra fogo) para impedir o avanço das chamas. Desde a sexta-feira, 8, as queimadas avançaram em mais 4 mil hectares de matas e várzeas secas do Pantanal Sul, totalizando 32 mil hectares queimados desde o início do mês. A região seca vai de maio ao final de setembro na região. A previsão para este ano é de que as chuvas, que normalmente ocorrem em outubro, só venham em novembro. Com isso, a temporada de incêndios florestais pode se estender até outubro.

Conforme o SOS Pantanal, nos últimos anos, a partir do monitoramento climático, diversos pesquisadores  constataram uma redução de pluviosidade no bioma, ou seja, a quantidade de chuva dentro do Pantanal diminuiu. Este resultado, além de trazer um desequilíbrio nas interações ambientais, também aumentou a quantidade de vegetação seca no meio-ambiente, o que pode tornar o ambiente muito mais propício aos incêndios.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de janeiro a 11 de junho deste ano, o bioma registrou 694 focos de incêndios, superando os 664 focos do mesmo período do ano passado. Os números incluem o Pantanal Norte, em Mato Grosso, estado que abriga cerca de 35% do bioma. A quantidade de focos este ano ainda está longe de atingir a registrada em 2020, quando o Pantanal teve seu pior ano, com 2.767 queimadas em igual período.

 

 

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