Cheiro de quentão e pipoca toma conta da cidade de SP

Há um cheirinho de quentão e pipoca no ar. Este ano, em algumas festanças, bandeirinhas que enfeitam as tradicionais celebrações ganham as cores verde a amarelo, em homenagem à participação do Brasil na Copa do Mundo. Além de escolas, clubes e igrejas, os "arraiás" urbanos estão também em ruas de São Paulo, lojas e quintais. Na tarde do dia 30, milenares mantras tibetanos serão substituídos por viola e sanfona, no Centro de Retiro Odsal Ling de Budismo Tibetano, na Granja Viana. No lugar dos sábios ensinamentos dos mestres, o casamento caipira - com direito a noiva grávida e fuga com o padre, antes do fim do casório. Esta é a segunda vez que é preparada a festa no retiro. No ano passado, os lamas americanos Tsering e Norbu, responsáveis pelo local, estranharam o evento, mas gostaram de participar. "Gosto mais de festa junina que de Natal", conta o programador de sistemas Ricardo Guedes Paulo, de 26 anos. A comemoração é tradicional em sua família. "Antes de mim, meu pai e meu avô faziam a festa." Desde 1992, Paulo assumiu a organização. No dia 29, ele pretende reunir cerca de 60 pessoas numa chácara em Suzano, na Grande São Paulo. A mãe do programador, a dona de casa Ana Paulo, de 55 anos, é a responsável pela preparação do quentão e do vinho quente, que têm receitas "secretas". Fashion - O showroom de moda Galpão 8 (Rua Guilherme Bannitz, no Itaim-Bibi) também entrou em clima de festa junina. Quem for ao local fazer compras pode experimentar, de graça, paçoquinha, bolo de fubá, quentão. Nesta sexta-feira, a empresária Carmela Graná, uma das sócias do espaço, promove uma "quadrilha fashion", a partir das 18 horas, com a participação de clientes e representantes das 18 marcas que ocupam o galpão. "Vamos fazer uma festa em clima de Copa do Mundo", diz. Para o técnico de farmácia Lafaiete do Vale Garcia, de 23 anos, e sua namorada, a auxiliar Tatiana de Oliveira Ferreira, de 22 anos, esse período do ano é especial. Seu romance começou há um ano, com a troca de cartões de correio elegante, numa festa organizada por colegas do Hospital Avicena, na zona leste, onde ambos trabalham. Ele enviou uma mensagem com palavras carinhosas. Ela respondeu. No fim da noite, estavam namorando. "A festa foi tão animada no ano passado que vamos repetir a dose no dia 29, no quintal lá de casa", conta a escriturária Adriana Ferreira de Faria, de 30 anos, uma das organizadoras da festa. Tatiana e Garcia estarão lá. "Desse jeito, vai virar tradição", brinca Adriana. Com a festa junina da Rua Visconde de Ouro Preto, no Jardim Rey, em Diadema, isso já aconteceu. Há mais de dez anos, a professora Angelina Rodrigues Fogolin, de 55 anos, a Dona Gê, ensaia a quadrilha com as crianças da rua. "Convoco pelo menos seis ensaios, sempre nos fins de semana. Minha voz some, mas o espetáculo é lindo", garante Angelina.

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