Chico Xavier vai ganhar memorial

Projetada por Niemeyer, obra será erguida na periferia de Uberaba

João Domingos, UBERABA, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

Morto em 2002, com 92 anos de idade e 75 de atividades mediúnicas, Chico Xavier vai ganhar um moderno memorial, em Uberaba (MG). Com projeto de Oscar Niemeyer, a obra será construída numa área de 8.440 metros quadrados, com custo previsto de R$ 4.931.675,12, entre terrenos, projetos, equipamentos e mobiliário. Para a coleta do dinheiro, seguidores do médium montaram em abril uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). A campanha para a arrecadação do dinheiro destinado à construção do Memorial Chico Xavier será capitaneada pela TV Globo de Minas.Chico Xavier chegou a ser indicado ao Nobel da Paz em 1981, numa mobilização que conseguiu 10 milhões de cartas a favor da premiação. Ele nasceu em Pedro Leopoldo, a cerca de 50 quilômetros a noroeste de Belo Horizonte. Começou suas atividades mediúnicas com 17 anos. Aos 49, mudou-se para Uberaba, onde tornou-se uma celebridade.Desde a chegada de Chico Xavier a Uberaba, a cidade transformou-se num pólo de atração de visitantes de todo o País e do exterior. Ele produziu 412 livros. O primeiro - Parnaso de além-túmulo - foi escrito em 1931 e publicado somente um ano depois.Chico Xavier era aposentado pelo Ministério da Agricultura. Apesar da fama e do tanto de livros que produziu, vivia basicamente dos proventos da aposentadoria. Os direitos autorais de seus livros foram cedidos gratuitamente às editoras ou entidades que os solicitavam.O memorial será construído próximo do local onde ele atendia, na Mata do Carrilho, uma área de mata nativa na periferia de Uberaba. Ao fazer o projeto do memorial, Oscar Niemeyer procurou aliar a arquitetura à mata, sem invadi-la. Com isso, fez um projeto assimétrico, de forma a preservar as várias espécies existentes no local.De acordo com os idealizadores do memorial, poderá ser formada ali uma área de transição entre o meio urbano e um espaço de preservação ambiental.Basicamente, o projeto tem um totem com o rosto de Chico Xavier na entrada, estacionamento, mirante, calçadão expositivo e cultural, administração, biblioteca e acervo, auditório para 230 lugares, galeria de exposição, café social, sanitários e pequenas praças contemplativas.O Grupo Espírita da Prece, antes tocado por Chico Xavier, hoje está sob o comando de seu filho adotivo, Eurípedes Higino, que não é médium. A herança mediúnica é reivindicada por quatro grupos.

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