Chinaglia diz que Câmara não poderá fazer nada sobre Battisti

Apelos do presidente da Câmara da Itália não serão atendidos porque essa decisão é do Executivo, afirma ele

João Domingos, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 19h08

Os apelos do presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Gianfranco Fini, ao seu colega Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Câmara, aqui, para que o Brasil reveja a decisão de dar ao extremista de esquerda Cesare Battisti o status de refugiado político não serão atendidos. "Essa é uma decisão do Poder Executivo. A Câmara dos Deputados nada poderá fazer", disse Chinaglia, depois de receber a carta de Fini, com tradução do italiano para o português feita pela Embaixada da Itália.   Veja também: Gilmar Mendes e embaixador da Itália silenciam sobre Battisti Lula enviará carta ao presidente italiano sobre caso  Carta de italiano causa mal-estar no governo  Battisti diz que recebeu com 'alívio' decisão de Genro   TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Documento: Processo do Ministério Público que defere extradição de Battisti     No documento, Fini apelou a Chinaglia para que ajude a rever a decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, que solitariamente negou o pedido de extradição de Battisti, feito pelo governo italiano. Chegou a lembrar que o presidente da Câmara tem origem italiana. "Dirijo-me a Vossa Excelência, à sua sensibilidade e à sua origem italiana, para expressar-lhe grande surpresa e pesar, sentimentos compartilhados por todas as forças políticas representadas na Câmara dos Deputados, por (o Brasil) permitir a condição de refugiado a Cesare Battisti, já julgado e reconhecido culpado de mais homicídios pela magistratura italiana, pela magistratura francesa e pela Corte Europeia de Direitos Humanos".   Chinaglia ainda não respondeu diretamente à carta de Fini. Afirmou que o fará com cuidado. Lembrou apenas que não tem muito o que fazer, acha que o debate sobre o tema não contaminará a Câmara dos Deputados e que o Supremo Tribunal Federal (STF), ao pedir que a Procuradoria-Geral da República opine sobre a decisão de Tarso Genro, certamente ainda tomará uma decisão.

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