Chinaglia rebate Tarso: Hurricane pode chegar ao Executivo

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), neste sábado, 21, o Executivo na possibilidade, "em tese", de envolvimento com o esquema de venda de sentenças judiciais para beneficiar a máfia do jogo. Questionado sobre a recente declaração do ministro da Justiça, Tarso Genro, de que não se surpreenderia com a suposta participação de parlamentares no esquema, Chinaglia destacou que "o braço da corrupção pode estar em qualquer Poder". "Ele (Genro) analisou como uma tese. E, na tese, o braço da corrupção pode estar em qualquer Poder, inclusive no Executivo. Torço para que esse tipo de previsão não se confirme, nem no Legislativo e nem em outra esfera de poder", disse o presidente da Câmara, após ser agraciado durante a solenidade de encerramento da Semana da Inconfidência, em Ouro Preto (MG). Chinaglia observou que é preciso aguardar o curso das investigações da Polícia Federal (PF) e prometeu tomar "todas as medidas necessárias" caso seja comprovado o envolvimento de parlamentares. A PF já apontou os deputados Marina Magessi (PPS-RJ) e Simão Sessim (PP-RJ) como supostos beneficiários de doações de bingos. Eles negam a qualquer envolvimento com o jogo. Religioso Também agraciado com a Grande Medalha da Inconfidência, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Majella Agnelo, disse que vê com "tristeza" as denúncias de corrupção contra membros do Judiciário. O cardeal arcebispo primaz do Brasil, no entanto, procurou analisar a situação com otimismo. "Não é a crise que vai ser a regra geral da vida do País. Nós vamos chegar a um ponto de saturação. Talvez ainda não tenhamos chegado ao fundo do poço, mas que seja um momento de reconstrução", salientou. Na opinião de Agnello, os sucessivos escândalos de corrupção que atingem o País resultam da injustiça social e da falta de fraternidade. Segundo ele, vive-se num mundo de muito "individualismo" e "subjetivismo". "Até aquele que foi eleito para governar bem, criar leis e cuidar dessa parte, a preocupação, muitas vezes, é consigo mesmo". Denúncia da PF Empresários ligados a bingos pagavam uma mensalidade de R$ 20 mil a R$ 30 mil para desembargadores, juízes e uma funcionária da Receita Federal, além de lobistas envolvidos em um extenso esquema de venda de sentenças, revelou nesta sexta-feira, 20, a Polícia Federal. A denúncia foi confirmada pelo superintendente da PF em São Paulo, Geraldo José de Araújo, que afirmou que o pagamento não seria apenas um ?mensalão?, mas sim um ?bingão da Justiça?. De acordo com as investigações da PF, que começaram depois de uma denúncia do Ministério Público Federal em agosto de 2006, a quadrilha contaria ainda com a participação de policiais. A investigação foi interrompida há cerca de um mês, quando funcionários da companhia Telefônica vazaram informações sigilosas sobre grampos telefônicos para os policiais civis, que avisaram por sua vez os investigados. Quando a organização criminosa começou a queimar provas, o STJ foi avisado. Araújo ainda disse que donos de bingos chegaram a pagar R$ 150 mil a magistrados por uma liminar que garantiria o funcionamento de suas casas. Os bingos também se beneficiariam desses créditos tributários. Operação Têmis Na sexta-feira, 20, a Polícia Federal apreendeu pilhas de documentos, discos rígidos de computadores e pelo menos cinco veículos, durante a Operação Têmis, que visa a combater suposta venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro no Estado de São Paulo. Foram realizados mais de 80 mandados de busca e apreensão nas casas e escritórios de 43 pessoas - entre desembargadores e juízes federais, empresários e advogados -, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Campo Grande. Eles são suspeitos de envolvimento com uma organização criminosa especializada na compra e venda de liminares para beneficiar casas de bingo e empresas interessadas em conseguir créditos tributários. A PF pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão preventiva dos investigados, mas o juiz federal Félix Fusher negou. Entre eles estão os desembargadores Alda Bastos e Nery da Costa Júnior e Roberto Haddad, além dos juízes Maria Cristina Cukierkorn, da 23ª Vara Federal, e Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara. Banda podre Segundo informações da revista Consultor Jurídico, a Polícia Federal teve de suspender a Operação Têmis depois de descobrir o vazamento de informações sigilosas. Mesmo com a interrupção, a PF conseguiu cumprir 80 mandados de busca e apreensão. Na capital paulista, a polícia invadiu o prédio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e da Justiça Federal para vasculhar gabinetes de desembargadores e juízes. Apreendeu documentos, notebooks e HDs de computadores. Na operação, são investigadas 43 pessoas, entre juízes, desembargadores, advogados, um procurador e uma servidora da Fazenda Nacional, policiais e empresários. O vazamento das informações teria partido de um funcionário de uma concessionária de telefonia. De acordo com a Polícia Federal, ele contou a um dos policiais investigados sobre a existência das escutas telefônicas e este avisou os colegas. As buscas da sexta-feira foram feitas em casas de juízes e nos gabinetes. Policiais federais estiveram nos gabinetes de pelo menos dois desembargadores e dois juízes federais: os desembargadores Nery da Costa Júnior e Alda Maria Basto e os juízes federais Djalma Moreira Gomes e Maria Cristina Borongeno. As pessoas ficaram sem acesso aos prédios. O juiz Djalma Moreira não concedeu nenhuma liminar em favor do funcionamento de bingos. A investigação contra ele se dá porque seu nome é citado nas escutas telefônicas. Os policiais também apreenderam documentos no gabinete do desembargador Roberto Haddad. Mas não se sabe se é ele o alvo da operação, já que até há pouco tempo o gabinete era ocupado pelo juiz federal convocado Manoel Álvares. Há uma linha de investigação que liga as operações Têmis e Hurricane. Na primeira, parte dos investigados pela suposta compra de liminares são donos de bingos. Na outra, foram presos os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim e José Ricardo Regueira, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região Ernesto da Luz Pinto Dória e o procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira.

Agencia Estado,

21 Abril 2007 | 16h56

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