Chineses: o alvo no 2º arrastão

Bandidos avisavam a brasileiros de prédio na Avenida Rangel Pestana que com eles ''nada aconteceria''

Bruna Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

Tendo como alvo moradores chineses, sete assaltantes invadiram por volta das 6 horas de ontem o Edifício Piratininga, na Avenida Rangel Pestana, no centro. Interessados no dinheiro que os comerciantes guardavam em casa, seis apartamentos foram invadidos pelos bandidos. Eles já tinham a chave da porta do condomínio e diziam aos reféns, pegos ao entrar ou sair do prédio, que "nada aconteceria com os brasileiros". Dois orientais terminaram feridos sem gravidade. Os bandidos permaneceram no prédio até perto das 8 horas. De acordo com a polícia, um pedestre estranhou a movimentação no edifício e chamou a polícia. Quando as duas primeiras viaturas chegaram ao local, os assaltantes já haviam fugido. Dois homens suspeitos foram abordados na rua. Eles estavam armados com uma pistola 765 e um revólver calibre 38. Foram encontrados também uma bicicleta, um aparelho DVD e um PlayStation portáteis, além de um PlayStation 2, 12 celulares, uma filmadora, uma espada e R$1,8 mil. Ao reagir ao assalto, um dos chineses levou uma coronhada e sofreu um ataque epilético. Foi encaminhado ao pronto socorro e passa bem. Segundo vizinhos, uma senhora também levou um soco no olho, pois, assustada, começou a gritar e a falar alto em chinês, o que irritou os agressores.A filha de um dos chineses assaltados, que se identificou apenas como Débora, de 21 anos, disse que estava dormindo quando os assaltantes entraram em sua casa. "Acordei com uma mão em minha boca. Falaram para eu ficar quieta e perguntaram se tínhamos dinheiro", conta. Os assaltantes levaram R$6 mil apenas desse apartamento. Débora mora com seus pais e três irmãos e diz que não é sempre que levam dinheiro para casa. "Meu pai é comerciante na 25 de Março. Ouvi dizer que eles já estavam planejando o assalto."A moradora Andrea de Farias, de 33 anos, disse que os assaltantes tinham uma lista com os números dos apartamentos que seriam invadidos. "Por que eles não legalizam a situação e colocam o dinheiro no banco?", pergunta. Os moradores já haviam procurado a administradora do prédio para discutir sobre mercadorias e dinheiro guardados por chineses, mas foram informados de que nada seria feito, porque os orientais pagam o aluguel em dia. Lourival Rosa Cavalcante, de 50 anos, foi abordado pelos assaltantes quando voltava da padaria. Ele teve seu celular e R$ 450, que tinha acabado de tirar do banco, roubados. "Espero que consiga ter meu dinheiro de volta. Assaltantes disseram para eu ficar tranquilo, porque o alvo era outro. Acho um erro guardar dinheiro em casa."IRREGULARESA polícia enfrenta dificuldades em definir o que foi roubado, pois algumas vítimas não compareceram à delegacia. Segundo um policial identificado como soldado Márcio, como muitos chineses estão irregulares no Brasil, eles têm medo de prestar depoimento. A moradora Michele Cavalcante, de 25 anos, disse que, quando a polícia chegou, a maioria das vítimas já havia deixado o local.

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