Chocados, colegas dizem que Suzane era "quieta"

A estudante do primeiro ano de Direito Suzane Louise von Richthofen, de 19 anos, era vista pelos colegas da Pontifícia Universidade Católica (PUC) como uma pessoa "meiga, quieta, apagada e de poucas amigas".Entretanto, a frieza com que, com o namorado, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, de 21 anos, organizou a morte dos pais e conseguiu manter uma "certa encenação" deixou-os revoltados. "Ela nos traiu", disse uma estudante da universidade, que às 13h30 desta sexta-feira dizia que ainda estava "tentando entender o que estava acontecendo".Antes do crime, dizem os alunos, Suzane era uma típica menina comum. Não chamava a atenção das pessoas, não freqüentava o centro acadêmico. Nos intervalos e saídas das aulas, com as amigas, ia para um bar na frente da universidade, onde os garotos tocavam violão, e sempre ficava quieta."Ela ficava sentada com as meninas, mas nem falava nada. Ficava só na dela", disse outro colega. Após o crime, segundo alunos, Suzane chegou a ir à universidade e teve apoio de algumas amigas. Eles dizem que a jovem, às vezes, chorava."Todo mundo achava que era pela morte dos pais, mas era choro de remorso. A menina era louca", disse um aluno do curso de administração, que como os outros colegas não quis se identificar.Professores e alunos só falavam do crime na PUC - que proibiu os alunos da sala de Suzane de darem entrevistas. A maioria, porém, desconhecia o fato de que a garota tinha arquitetado a morte dos pais e depois tinha ido para um motel com o namorado.Na maioria das rodas de conversas, as pessoas procuravam fotos em jornais para se lembrar das feições de Suzane.Logo no início das aulas, depois que as rádios informaram sobre o esclarecimento do caso, houve uma pequena revolta entre os alunos - principalmente entre os que tinham ido ao enterro dos pais de Suzane e lhe deram apoio nas horas difíceis.Ainda segundo alunos, um monitor entrou na sala onde Suzane estudava e explicou o que estava acontecendo. Pediu que os alunos não comentassem nada. Após a aula, eles foram para um bar. O crime era o principal assunto das rodas.Mas não era todo dia que Suzane ia à faculdade, segundo vizinhos do namorado. Em vez de ir à PUC, ela escondia o carro na viela ou em ruas mais distantes para que o pai não a visse. Contrariado com o namoro, ultimamente ele costumava seguir a filha, disseram os vizinhos de Daniel.Doce, inteligente e amável com o namorado. Assim descreveram Suzane os taxistas que, durante o namoro de aproximadamente três anos com Daniel, levavam a garota ao colégio e depois à faculdade. "Já levamos os dois até a motéis", disse um taxista. Outro chegou a comentar que o casal teve uma discussão por dinheiro. Suzane teria cobrado uma quantia que emprestou a Daniel. O dinheiro era do pai.O irmão de Suzane, Andreas, também freqüentava bastante a casa de Daniel. No dia do enterro dos pais, um fato chamou a atenção da vizinhança: a garota parou na frente do espelho de um carro para arrumar os cabelos.Acompanhe toda a história nos links abaixo. » Quinta, 31/10: Casal é assassinado no Campo Belo » Para vizinhos, casal era "simpático e reservado" » Sexta, 1/11: Policiais investigam namorado e filha do casal » Segunda, 4/11: Filha do casal depõe pela segunda vez » Terça, 5/11: Polícia volta à mansão do casal assassinado » Quarta, 6/11: Para Polícia, casal foi assassinado por vingança » Quinta, 7/11: Preso o irmão do namorado da filha » Sexta, 8/11: Pedida prisão de suspeito de matar o casal» A Polícia conclui: Suzane, a filha, tramou o assassinato»Assassinos do casal têm prisão provisória decretada» Polícia encontra material furtado da mansão do casal

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 20h55

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