Chokr será acareado na CPI com assessor de subprefeitura

Advogado suspeito de pagar propina a policiais ficará frente a frente com assessor que pediu patrocínio para confecção de cartaz de festa do Cambuci

Agencia Estado

27 de junho de 2007 | 14h51

O advogado Jamil Chokr, suspeito de pagar propina a 84 das 93 delegacias da cidade e a sete das oito seccionais, será acareado na CPI com o assessor da Subprefeitura da Vila Mariana, Wanderley Araújo, que assumiu ter pedido a Chokr patrocínio para confecção de cartaz de festa no Cambuci, em festa organizada pela Subprefeitura da Sé.Chokr disse, na terça-feira, 26, na CPI dos Bingos da Câmara, que teve quatro contatos pessoais com Araújo, que iniciaram com questionamento sobre a Lei Cidade Limpa, na subprefeitura da Vila Mariana. "Tivemos outros contatos, um foi em um quiosque de café do Shopping Paulista, próximo de meu escritório, onde acertamos a confecção do cartaz da festa do Cambuci."Já Araújo havia contado que tivera apenas contatos telefônicos com o advogado, e que o havia conhecido numa plenária de prestação de contas da subprefeitura.Micro apreendidoA Corregedoria da Polícia Civil cumpriu, na tarde de segunda-feira, 25, um mandado de busca e apreensão na casa de Chokr. A delegada Cintia Maria Quaggio confiscou dois computadores - um de mesa e um laptop, 32 dias depois do acidente com Chokr que revelou a suposta lista de propina.Os delegados da Corregedoria já ouviram os 35 policiais supostamente envolvidos no esquema. Para dar prosseguimento à investigação, eles cobraram mais uma vez a Polícia Federal e a Justiça para que enviem com rapidez as escutas telefônicas em que policiais civis são flagrados cobrando propinas da máfia do jogo.Até agora não houve respostas às seguidas solicitações. "Certamente, a ausência da resposta colabora para que a investigação se arraste. Ela seria mais ágil com a vinda dos trechos que envolvam policiais de São Paulo", disse o secretário da Segurança Pública, Ronaldo Bretas Marzagão.Nesta quarta-feira, 27, o delegado-corregedor da Polícia Civil José Antonio Ayres de Araújo e a delegada Cintia Maria Quaggio serão ouvidos pelos deputados da Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa.O deputado estadual Vanderlei Siraque (PT) chegou a fazer um requerimento para convidar Jamil Chokr para a audiência. Segundo o advogado de Chokr, o criminalista José Carlos Dias, ele não comparecerá porque está com problemas de saúde.(Colaboraram Alexssander Soares, Bruno Tavares, Eduardo Reina e Rodrigo Brancatelli, do Estadão.)

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