Chope na praia e cadeiras no mar

Carrinho com bebida gelada a R$ 4 desbanca barraca de bebidas; mulheres aderem aos óculos de armação branca

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 00h00

Sem a multidão que lotou as praias no fim do ano, o litoral norte ficou ainda mais atraente. Com águas limpas e dias de sol forte e céu azul, a região tem opções para todo tipo de turista, desde o que desce a serra para praticar esporte até para quem passou o ano sonhando em ficar relaxado, só admirando a paisagem, com copos de cerveja na mão. Este último tipo de turista, em especial, vai se dar superbem. Uma das novidades do verão são os carrinhos de chope, que circulam nas praias como parte do projeto piloto de um fabricante de cerveja.De longe, o carrinho se parece com o de sorvete. Mas não dá para confundir. Cinza, com canaletas em dourado, traz estampado o símbolo do fabricante em branco e vermelho. Em Juqueí, são dez os carrinhos que circulam durante o dia. "A idéia de vender chope na praia só não é melhor porque o carrinho não passa mais vezes aqui na frente do meu guarda-sol", diz o médico Elizeu Palmas, de 48 anos, que alugou uma casa com a família de frente para a praia. "O chope vem cremoso e bem gelado", diz o cunhado de Elizeu, Carlos Arruda Campos, administrador de empresas, de 45.O carrinho tem apenas uma torneira, que controla tanto a quantidade de líquido como a cremosidade. "Não servimos chope sem colarinho", diz Lucas Leite, um dos supervisores do projeto. Para conservar a temperatura da bebida, os copos são de isopor. Cada um tem capacidade para 400 mililitros e custa R$ 4. Apesar de fazer a alegria de muitos consumidores, a novidade não agrada a todos. "O carrinho de chope é deseducativo", critica Cristina Kuntz, que tem casa em Juqueí há 20 anos. "Além disso, a empresa montou um quiosque de 100 metros quadrados, tirando a vista do pôr-do-sol da praça. As praias do litoral norte este ano foram invadidas pelas empresas de refrigerante, cerveja e de TV a cabo."O chope aumentou a concorrência para os donos das tradicionais barraquinhas que ficam na areia e vendem caipirinha, cerveja e quitutes. Mas ninguém reclama. Muitas resolveram a questão caprichando no serviço ao cliente. O milho, por exemplo, agora é servido em grãos, dentro de um copo com manteiga, como já fazem ambulantes da Avenida Paulista. DESFILELonge das calorias dos quitutes e bebidinhas, há uma moçada preocupada mais em desfilar na areia o corpo em forma e os modelitos do verão. Óculos de armação branca são hits da estação, quase um ano e meio depois de terem sido lançados como tendência pelos principais editores de moda do País. "Comprei o meu pouco antes de descer para o litoral", diz a estudante de Relações Públicas Fernanda Lovazs, de 20 anos, que preferiu viajar para Camburi depois do réveillon e evitar o movimento do fim de ano. A moda, aliás, não pegou só no litoral paulista. As cariocas também aderiram.Outra moda que pegou é a da canga com estampa da fita do Senhor do Bonfim, símbolo de boa sorte. "O pedido das cangas chegou na quinta-feira pela manhã. Vendi todas até o fim da tarde", diz Maria da Juda, de 43 anos, dona da Mary Modas, em Camburi. "Comprei a minha há três meses em Ilhabela", diz a mineira Larisse Pedrosa, de 30 anos, mestre em educação. "Não sabia que estava assim tão em moda. Quando comprei achei que seria uma das poucas a ter uma dessas, mas ao chegar ao clube da minha cidade, em Uberlândia, várias garotas já estavam usando."Larisse passou a virada do ano em Arraial D?Ajuda, em Porto Seguro. "Lá também é um sucesso. Tem até saia feita com a estampa da fita", conta.Na água, o que chama a atenção são as cadeiras infláveis de plástico colorido. Usadas normalmente nas piscinas, elas foram parar no mar nesta temporada. A adolescente Larissa Weiss, de 15 anos, comprou duas. Uma rosa para ela e outra verde para o irmão, Maxmiliam, de 8 anos. "Não temos piscina em casa. E no mar elas são bem divertidas", diz Larissa, que teve de dividir o brinquedinho com o tio alemão, Wolf Gang, oftalmologista de 50 anos, que está de férias no Brasil, e o filho de sua madrasta, José Gabriel, de 16 anos. CICLISTAS DE ESTRADAOutra galera que tem ganhado adeptos na praia é a dos ciclistas de estrada. Tem sempre um grupo deles pedalando pela Rio-Santos. É que nesta temporada grandes campeões do esporte costumam treinar na região e acabam virando chamariz para atletas ainda não tão preparados, mas ávidos por aprender novas técnicas. Um dos astros é Marcos Christian Novelo, de 30 anos, campeão da Volta do Estado de São Paulo, de 2007, que participou dos Jogos Pan-Americanos do Rio. Todas as terças, quintas e sextas-feiras, um grupo de mais de 60 ciclistas sai da balsa do Guarujá para percorrer as estradas. Os treinos curtos têm 70 quilômetros, os mais longos, 170 quilômetros. "Para participar é só chegar lá por volta das 8 horas", diz Novelo. Mas é bom não dar bobeira e querer sair pelas estradas pedalando sozinho. "Principalmente próximo do Guarujá tem muito assalto", diz o técnico Cláudio Diegues, de 36 anos, da equipe Memorial de Santos, criada em 2000, com apoio da prefeitura. Vítimas dos ladrões, alguns alunos já tiveram de voltar a pé para casa.

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