Choque com ave fecha Congonhas

Tráfego aéreo ficou bloqueado por quatro minutos e não houve danos

Eduardo Reina e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

O choque entre um avião e uma ave bloqueou o tráfego aéreo no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, na manhã de ontem. A pista local ficou fechada para pousos e decolagens das 7h50 às 7h54. Nestes quatro minutos, funcionários da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) vistoriaram as pistas em busca de resíduos que pudessem prejudicar as operações.O voo 1260 da Gol, com destino a Belo Horizonte, havia acabado de decolar quando uma ave se chocou contra a fuselagem. A colisão não provocou problemas no avião, que seguiu viagem, mas mostra o perigo que os pássaros representam nos aeroportos brasileiros. Somente neste ano em Congonhas foram feitas cinco notificações de choque com aves. Segundo a Infraero, há pelo menos um incidente desse tipo por mês no aeroporto da capital paulista. Uma diminuição de 80% em relação às ocorrências entre 2005 e 2007. Nesses anos, a média de choque entre aves e aviões era de quatro ou cinco a cada mês. No ano passado, Congonhas e o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, registraram, juntos, 45 colisões com aves e aviões, sem danos, 12 apenas em Congonhas.O problema levou à criação de uma força-tarefa entre a Infraero, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e o Centro de Zoonoses da Prefeitura de São Paulo para elaborar um plano e minimizar o risco. De acordo com a Infraero, foram tomadas medidas "simples e eficazes", como o corte de grama rente ao solo ao longo das pistas, que impediu o acúmulo de alimentos e evitou que aves como quero-quero fizessem ninhos dentro dos limites do aeroporto. Os pombos foram combatidos com o aumento da fiscalização sobre ambulantes nos arredores. Os camelôs deixavam resíduos de alimentos no chão, o que atraía as aves.RISCOSAs consequências do choque com aves dependem de fatores como o peso do pássaro e a velocidade do avião. Um urubu de 1,5 kg, por exemplo, pode resultar em um impacto de 7 toneladas ao colidir com um avião a 300 km/h. "Quando uma ave grande entra na turbina pode provocar a perda do equipamento e até a queda do avião. Uma turbina nova, de um Boeing 777, custa mais de US$ 15 milhões. Qualquer coisa que seja feita para evitar esse tipo de acidente ajuda", diz Rubel Thomaz, especialista em aviação e ex-presidente da Varig.Urubus estão presentes em mais de 55% dos casos. Em seguida aparecem os quero-queros, de menor porte, com 14,6% de participação nos acidentes, e as corujas, com 6,1%. Os aeroportos que mais têm registrado colisões com aves são o Tom Jobim/Galeão, no Rio, com 27,6%; Cumbica, com 17,1%; e Porto Alegre, com 16,2%.O caso mais grave registrado no Brasil ocorreu em 1962, quando o piloto morreu depois que um avião militar se chocou com uma ave. Estatísticas mostram que entre 70% e 80% das colisões nos aeroportos brasileiros ocorrem abaixo dos 150 metros de altura, 25% durante as decolagens, como o incidente de ontem, e 14% no pouso. No Estado de São Paulo, as espécies mais comuns ao redor de aeroportos são o urubu-caçador, o gavião-peneira, o gavião-carijó, o carcará, o gavião-carrapateiro, o quero-quero e pombos.

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