Choque de trens deixa 8 mortos e 101 feridos em Nova Iguaçu

Composição com 400 passageiros acertou carro que fazia manobra perto de estação na Baixada Fluminense

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2031 | 00h00

O choque de dois trens da Central do Brasil deixou 8 mortos e 101 feridos em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, ontem à tarde. Um dos trens tinha cerca de 400 passageiros e o outro estava vazio. De acordo com a Supervia, concessionária da via férrea, o trem WP-908 atravessava da linha 1 para a linha 2 quando foi abalroado pelo trem de passageiros prefixo UP-171.O choque foi tão forte que o último vagão do WP-908 descarrilou. Os dois primeiros carros do outro trem também saíram dos trilhos. Muitas pessoas ficaram presas às ferragens.O governo informou, pouco antes das 20 horas, que o trabalho de resgate estava encerrado. Nesse horário, a identidade dos mortos, seis homens e duas mulheres, não havia sido divulgada.O UP-171 tinha partido às 15h10 da Central do Brasil rumo a Paracambi. O acidente ocorreu a cerca de 200 metros da Estação de Austin. Moradores das redondezas, ao ouvirem o estrondo, correram para o local e socorreram as vítimas em estado menos grave, levadas de carro a hospitais próximos."Eu estava dormindo, mas de repente escutei aquele estrondo enorme, a poeira levantando e um clima de desespero. Depois que o trem parou muita gente saiu correndo. Quando desci, vi coisas horríveis. Tinham pessoas debaixo do trem, corpos revirados", contou Diana Gonçalves, de 53 anos, passageira do terceiro vagão. O instrutor de equitação Robson de Oliveira, de 44, estava no mesmo vagão. "Tinha muita gente presa nas ferragens. Eu vi pelo menos um morto. Foi horrível. Tinha muita gente desesperada, com crise nervosa."Cerca de 60 bombeiros de 15 quartéis seguiram para o local do acidente e tiveram de usar geradores para iluminar as ferragens. Além deles, cem homens da Defesa Civil de Nova Iguaçu trabalharam no resgate. As equipes levaram os feridos em estado mais graves - eram 22 até 18h30 - para o Hospital da Posse, Nova Iguaçu. Os demais foram divididos pelos hospitais de Saracuruna e Duque, em Duque de Caxias, e por unidades de atendimento pré-hospitalar em Nova Iguaçu. Um helicóptero transportou um passageiro gravemente ferido para o Hospital Miguel Couto, zona sul do Rio. "As vítimas estão chegando com fraturas nos membros, lesões de face, hemorragia abdominal. São ferimentos típicos da desaceleração do trem por causa da batida", afirmou o diretor do Hospital da Posse, Marcos de Sousa. "Nós pedimos reforço dos médicos que estavam de folga ou que estavam deixando o plantão, principalmente das equipes de radiologia."O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, chegou ao local às 18 horas, quando os bombeiros aguardavam a chegada de um guindaste da Supervia para fazer a inspeção final." Depois, explicou por que foi complicado fechar o número de feridos. "Muitas pessoas foram socorridas por civis."Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, as dificuldades de resgate foram grandes. "Anoiteceu rápido e foi preciso trazer geradores. Acidentes na via férrea são complicados porque o local é de difícil acesso."O presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir Lemos, disse que o acidente ocorreu por problemas de sinalização. "Nós fazemos essa denúncia há anos: a manutenção da via férrea é precária."O diretor de Operações da Supervia, João Gouvêa, disse que só após a perícia será possível identificar as causas do choque. "Os dois maquinistas não faleceram e serão úteis para esclarecer o que houve. O laudo deve sair em dez dias. Só então saberemos detalhes como a velocidade das composições."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.