Choque entra em prisão no Recife após morte de 2 em rebelião

Detentos reivindicam mais rapidez no julgamento de processos e afastamento de juiz da 1ª Vara das Execuções Penais

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2015 | 15h19

RECIFE - O Batalhão de Choque entrou na manhã desta terça-feira, 20, no Complexo Prisional do Curado, no Recife, onde o clima se mantém tenso após a rebelião que matou duas pessoas e deixou 29 feridos na segunda-feira, 19. Dezenove presos já tiveram alta e os demais continuam internados em hospitais da região.

Os presos voltaram a exibir nas lajes reivindicações de mais rapidez no julgamento de processos e pedidos de afastamento do juiz Luiz Rocha, da 1ª Vara das Execuções Penais. Do lado de fora, familiares de detentos aguardavam informações. Pela manhã, foram ouvidos disparos dentro do complexo.

A última informação oficial sobre a rebelião foi divulgada no final da noite de segunda-feira pela Secretaria de Ressocialização, identificando os mortos e informando que a situação estava sob controle. O delegado João Paulo Andrade, da 4ª Delegacia de Homicídios, foi designado para apurar as circunstâncias da morte do PM Carlos Silveira do Carmo, 44 anos. O outro morto foi o detento Edvaldo Barros da Silva Filho, de 33 anos.

Medidas emergenciais foram anunciadas na semana passada pelo governo estadual, depois que o secretário-executivo de Ressocialização, Humberto Inojosa, renunciou ao cargo após a divulgação de imagens na TV Globo, no dia 7, de presos com facões e celulares no presídio, o maior do Estado. PMs fizeram uma revista e recolheram 121 armas brancas - facões, facas e foices -, 14 celulares, carregadores e pen drives. No complexo prisional, com capacidade para 350 presidiários, há 1,9 mil presos.

Há uma semana, o governo estadual anunciou a conclusão e entrega do Complexo de Tacaimbó, da Cadeia de Santa Cruz do Capibaribe e do presídio de Itaquitinga (todos no interior do Estado), além de reforma e ampliação do Complexo do Curado. O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico,  avaliou haver "uma crise instalada no sistema prisional nacional". Ele dividiu a responsabilidade da segurança pública com o governo federal.

"A área está renegada pelo governo federal", afirmou, ao destacar a superpopulação carcerária como um dos problemas a serem enfrentados por Pernambuco e pelo Brasil. Segundo ele, o Estado conta hoje com 12 mil vagas para 32 mil presos. Em 2007, a população carcerária era de "pouco mais de 10 mil."

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