''Chorei ao saber do incêndio''

Músico foi último a tocar em piano; atores prestam solidariedade

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2008 | 00h00

Após saber do incêndio no teatro, o músico Gilberto Tinetti, de 76 anos, ligou para lá. O telefone já estava transferido para um endereço improvisado - e uma atendente explicou o que havia acontecido. "E aquele piano maravilhoso?", perguntou. "Destruído" foi a resposta. Tinetti foi o último a se apresentar tocando o piano Steinway, modelo D, que chegou ao teatro no fim de abril. Na quarta, dia 13, ele foi o solista em espetáculo com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. "Foi um dos melhores pianos que já toquei. E cheguei a chorar quando soube do incêndio." O músico também sentiu pela destruição do Cultura Artística, onde fez a primeira apresentação na década de 1950. Tinetti venceu um concurso e ganhou um espetáculo com o maestro Eleazar de Carvalho. De lá para cá, foram apresentações praticamente anuais na casa até o concerto de Liszt no dia 13. Nesse dia, foram 20 minutos tocando energicamente. "O Roberto Baumgarten chegou a brincar que eu iria destruir o piano", diz Tinetti. Roberto Baumgarten é um empresário que patrocina sociedades culturais. Foi ele quem doou o Steinway, juntamente com a mulher, Yara, e a irmã, Úrsula. Sua contribuição para a reconstrução do teatro será doar um novo piano. "Vamos fazer como da primeira vez: eles escolhem o melhor piano e nós fazemos a doação." Baumgarten liga diariamente para a Sociedade de Cultura Artística. Os outros são artistas que fizeram história na casa. Segundo o superintendente da entidade, Gérald Perret, o ator Antônio Fagundes ligou no dia do incêndio e se propôs a ir até o local prestar solidariedade. "Eu disse para ele que se viesse me causaria um tumulto ainda maior", diz Perret. Outro ator, Juca de Oliveira, distribui e-mails para colegas a fim de organizar uma campanha para a reconstrução. "O incêndio foi só uma pausa do teatro", diz ele, que estreou ali em 1982 com Otelo, a primeira peça não musical do Cultura Artística. O coreógrafo Ivaldo Bertazzo decidiu doar toda a bilheteria de estréia do espetáculo Noé Noé!, no Tuca, para a entidade. Uma outra oferta de ajuda veio da empresa Vidrotil, que montou o mosaico de Di Cavalcanti na fachada do teatro. A empresa se propôs a realizar uma restauração, caso a estrutura se mantenha em pé, ou desmontar toda a obra e reconstruir tudo novamente, até mesmo recriando tons de cores que já não são mais usados.

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