Christian e Daniel choram ao ouvir depoimento da mãe

Última testemunha arrolada pela defesa dos irmãos Cravinhos, Nadja Quissak Cravinhos de Paula, mãe de Daniel e Christian, começou a depor por volta das 14h40, no Fórum Criminal da Barra Funda, onde acontece o julgamento de seus filhos e de Suzane von Richthofen, réus confessos do assassinato dos pais dela. Em seu relato de pouco mais de uma hora, acompanhado pelos três acusados, Nadja elogiou os filhos, que choraram muito, especialmente o mais velho, Christian, que chegou a soluçar. Ao final, Nadja pediu autorização do juiz para abraçar os filhos. Os três choraram muito. Muito emocionada e chorando, Nadja disse que Daniel foi manipulado por Suzane, que fez dele "um instrumento durante todo o tempo que conviveram". Ela destacou que se orgulha muito do filho, por seu sucesso com o aeromodelismo, que lhe rendeu o quinto lugar em um campeonato mundial, na Ucrânia."Daniel é a criatura mais dócil que eu conheço", disse Nadja. "Não sei o que foi que aconteceu, por que isso aconteceu". Segundo ela, depois de preso, o filho pensava em se matar, mas foi impedido por dois companheiros de cela. De acordo com ela, quando visitou os filhos na penitenciária, Daniel disse que estava muito arrependido do que fez e Christian lamentou não ter conseguido impedir que a tragédia acontecesse.Nadja também contou que Manfred e Marísia freqüentavam sua casa em situações festivas, como aniversários. Segundo ela, o casal ficava agressivo entre si quando bebiam e, às vezes, também com os próprios filhos. "Eles se agrediam verbalmente", disse. Nesse momento, Suzane levantou o olhar na direção de Nadja e fez sinal negativo com a cabeça.A mãe de Daniel também destacou que o filho era independente financeiramente e não precisava do dinheiro de Suzane. Segundo Nadja, ele só precisava de Suzane como companheira.A defesa de Suzane e a acusação não quiseram fazer perguntas para Nadja. Em seguida, serão ouvidas quatro testemunhas de defesa de Suzane, entre elas amigas da jovem. Só depois desses relatos será decidido se haverá ou não acareação entre os réus, para esclarecer pontos divergentes nas versões apresentadas.Durante os depoimentos das testemunhas, Suzane passa o tempo todo olhando para baixo, deixando o cabelo cobrir seu rosto, evitando olhar para a platéia e para Daniel, seu ex-namorado. Depois de um breve intervalo, começou a ser ouvida, por volta de 16h20, Fernanda Soel Kitahara, amiga íntima de Suzane que disse ser confidente da jovem. Além dela, serão ouvidas outras quatro testemunhas serão ouvidas.AcareaçãoAo chegar ao Fórum da Barra Funda, o advogado Adib Geraldo Jabur, que defende os irmãos Daniel e Christian Cravinhos, disse que ainda irá avaliar a necessidade da acareação entre seus clientes e a outra ré, Suzane von Richthofen. O procedimento já foi considerado dispensável pelo Ministério Público, que acredita que os depoimentos das testemunhas de acusação, colhidos ontem, já tenham sido suficientes para corroborar sua tese. Caso a acareação não aconteça, o julgamento poderá ser agilizado em pelo menos 5 horas, afirma o MP. Por estes cálculos, a sentença seria proferida na quinta-feira à noite. Caso contrário, o julgamento terminaria somente na sexta-feira. A mãe dos Cravinhos, Nadja, daria o primeiro depoimento - na condição de testemunha de defesa de Christian. Seria a primeira vez que ela se pronunciaria oficialmente no processo. A pedido do juiz Alberto Anderson Filho, três testemunhas de Daniel foram ouvidas antes de Nadja. Somente depois desses depoimentos, o juiz decidirá se haverá ou não acareação entre os réus. O assistente da acusação Alberto Zacharias Toron afirmou nesta quarta-feira, 19, durante o intervalo do julgamentode Suzane von Richthofen e dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, no Fórum Criminal na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, que uma acareação entre Daniel e Suzane poderá ser desnecessária para o processo. "O júri e os jurados já estão maduros. Já temos provas mais do que suficientes para poder iniciar o julgamento com os debates. Talvez ao término do depoimento das testemunhas de defesa, nós venhamos a desistir da acareação. Em todo o caso, só tomaremos uma posição definitiva após ouvir todas as testemunhas de defesa", afirmou Toron. Segundo ele, se ocorrer a acareação e ela for demorada, o julgamento só será concluído na sexta-feira. ContradiçõesEm seus interrogatórios, Daniel, Christian e Suzane entraram em contradição. Daniel Cravinhos inocentou seu irmão, Christian, dizendo que matou sozinho o casal Richthofen. Christian repetiu a versão do irmão, dizendo que apenas confessou o crime para protegê-lo. Suzane, por outro lado, se defendeu das acusações de Daniel, segundo quem ela teria fumado maconha antes de conhecê-lo e não era mais virgem. Suzane rebateu as declarações, dizendo que apenas conheceu as drogas após começar o namoro com Daniel. CrimeSuzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas. (Colaborou: Ellen Fernandes)Ampliada às 16h20

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