Chuva aumenta risco de desabamentos em Campos do Jordão

Nos últimos três dias a chuva em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, acumulou 106 milímetros, segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe). O volume de água deixa o solo encharcado e, na avaliação do Cptec, indica que o município deve ficar alerta. Por este motivo, barracos e casas construídos nos morros da cidade, estão sendo monitorados dia e noite por equipes da Defesa Civil.Nesta semana cinco famílias foram retiradas de suas casas para evitar riscos de desabamento. Um dos imóveis foi demolido e a dona de casa Silmara Bernardes da Silva, grávida de 9 meses e com outros quatro filhos, acabou perdendo sua moradia. Ela e os filhos foram instalados provisoriamente no Ginásio de Esportes. "Não tenho pra onde ir, não tenho renda pra pagar aluguel", lamentava. Na tarde desta sexta-feira, 5, ela teve a criança e assim que sair do hospital vai voltar para o ginásio.As outras quatro famílias foram para casas de parentes e a Defesa Civil vai destruir mais um imóvel na segunda-feira. "Existe uma certa resistência dos moradores para deixar as moradias, mas é preciso sair para evitar tragédias maiores", disse o chefe da Defesa Civil, Eduardo Fondelo.Ele afirmou que o centro da cidade e a parte turística do município não foram afetados pelas chuvas, somente as seis áreas de risco, nos morros, onde moram atualmente 600 famílias. "Trezentas delas em alto risco, nos bairros Britador, Santo Antonio e Cachoeirinha". Desde um grande deslizamento de terra, há sete anos, quando morreram 10 pessoas sob os escombros, Campos do Jordão faz um trabalho de conscientização com os moradores desses locais e congelamento dos bairros de risco. Cinco famílias que ainda moravam em um acampamento provisório, desde a tragédia, foram retiradas do local no ano passado e hoje moram em casas de parentes e amigos.A cidade de Paraibuna decretou estado de emergência e a prefeitura vai precisar da verba emergencial de R$ 600 mil para reparar os estragos. Nesta semana o córrego Lava-pés transbordou e na Vila de Fátima casas foram alagadas e tiveram muros destruídos. Na casa da cabeleireira Claudete Canela a chuva demoliu a cozinha e comprometeu a lavanderia. Outros oito bairros também tiveram problemas de queda de barreiras e de pontes. No centro da cidade um buraco se abriu na rua Lincon Feliciano da Silva e a via está interditada.PrevisãoA chuva que tinha dado uma pausa pela manhã desta sexta-feira, 5, voltou a se intensificar no período da tarde na Serra da Mantiqueira. Pelo menos no Estado de São Paulo a chuva vai persistir até terça-feira da próxima semana.Frentes frias de baixa intensidade chegaram à região Sudeste do País e fortalecem as Zonas de Convergência do Atlântico Sul, que provocam as chuvas freqüentes. "Formou-se um ciclone na costa do Rio de Janeiro e São Paulo favorecendo a convergência de ventos e umidade para o Sudeste", explicou o meteorologista Vlamir da Silva Júnior.Segundo o pesquisador, as precipitações são comuns nesta época do ano e por enquanto os modelos de previsão do tempo não conseguem detectar quando este sistema chegará ao fim. Para o fim de semana as temperaturas vão continuar amenas, com céu nublado e chuva principalmente no Litoral Paulista.

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