Felipe Iruatã/EFE - 27/12/21
Felipe Iruatã/EFE - 27/12/21

Chuva avança pelo País e deixa ao menos 31 mortos em Bahia e Minas Gerais

Conforme previsto pela empresa de meteorologia Metsul, corredor de umidade que causou excesso de precipitação na Bahia agora avança em direção ao Sudeste

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2021 | 14h37
Atualizado 31 de dezembro de 2021 | 16h46

O Brasil já contabiliza ao menos 31 mortes pelas fortes chuvas que atingem o País neste final de ano. Após terem se intensificado a partir do início de dezembro, os temporais causaram estragos principalmente na Bahia, que já registrou ao menos 25 vítimas das chuvas. Agora, estão se espalhando em maior intensidade para outras regiões e voltando a castigar Minas Gerais, onde foram notificados seis óbitos. 

Conforme mostrado pelo Estadão nesta semana, a empresa de meteorologia Metsul já previa que o corredor de umidade que causou o excesso de precipitação na Bahia estivesse a caminho de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Eram esperadas, portanto, fortes chuvas para o Sudeste neste fim de ano, o que tem sido motivo de alerta.

Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais, ao menos seis pessoas já morreram por conta dos temporais no Estado. Foram registrados óbitos em Uberaba, Coronel Fabriciano, Nova Serrana, Engenheiro Caldas, Pescador e Montes Claros. Ao todo, 3.007 moradores do Estado estão desabrigados, enquanto 12.467 estão desalojados.

A Defesa Civil informou que, "nos próximos cinco dias, o tempo deve ficar muito chuvoso em Minas Gerais, com exceção das regiões Norte, Vale do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha".

Em São Paulo, as chuvas começaram nesta quinta-feira, 30. Pelo menos 30 cidades de São Paulo e a região metropolitana da capital foram atingidas pelo temporal e receberam alerta da Defesa Civil. As chuvas mais intensas foram no Litoral Norte. Em Ilhabela, pelo menos duas famílias precisaram sair das casas onde moravam por conta da intensidade das chuvas. 

A Defesa Civil registrou 22 ocorrências em Ilhabela de alagamentos, deslizamentos de terra e queda de árvores em fios. Em menos de 24 horas, choveu mais do que o esperado para chover em 5 dias.

Na Bahia, conforme a Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), mais de 90 mil pessoas já tiveram de deixar suas casas: são 37.035 desabrigados e 54.771 desalojados. O número total de atingidos é de 643.068 pessoas. Ao todo, 25 pessoas morreram em decorrência das chuvas no Estado. O óbito da última delas foi confirmado nesta quinta-feira, 30.

Recorde de chuvas na Bahia

Tanto Minas quanto a Bahia enfrentaram temporais na primeira quinzena desta mês, mas a situação escalou de forma mais abrupta no Estado do Nordeste. Segundo levantamento do governo local, a Bahia está enfrentando o pior acumulado de chuvas do mês de dezembro desde 1989.

Climatologista e coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo explicou ao Estadão nesta semana que a Bahia contou com três principais períodos de chuva ao longo de dezembro: dos dias 1º a 4, de 7 a 12 e, por último, de 23 a 27.

Somadas, as três janelas de fortes precipitações agravaram o cenário nos dias próximos ao Natal, uma vez que a infraestrutura do Estado foi ficando cada vez mais comprometida.

Situação de emergência

Em Minas Gerais, o governo do Estado reconheceu nesta quinta a situação de emergência em 124 cidades "fortemente afetadas pelos temporais" dos últimos dias. Elas estão situadas principalmente no Norte de Minas, região que faz divisa com o Nordeste do País.

Na Bahia, foram registradas ocorrências em 163 dos 417 municípios do Estado. Desse total, 151 estão com decreto de situação de emergência. Ou seja, mais de um terço das cidades do Estado estão enfrentando dificuldade por conta das chuvas.

Convergência do Atlântico Sul

O aumento das chuvas na Bahia é parte do fenômeno de convergência do Atlântico Sul, quando o ar úmido do continente se encontra com os ventos polares do sul. O cenário pode se intensificar ainda em outras regiões.

No início de dezembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de risco de chuvas intensas não só em Bahia e Minas Gerais, como em Goiás e Maranhão.

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